Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

NATO não quer confrontos com a Rússia nem uma nova guerra fria, garante Stoltenberg

Jens Stoltenberg: “A Nato é capaz de defender e proteger todos os seus Aliados contra qualquer ameaça, temos os militares mais fortes do mundo”

Eric Vidal / Reuters

Em entrevista exclusiva à BBC, secretário-geral da aliança militar diz que o destacamento de 4000 tropas para o leste da Europa é uma ação preventiva e não provocatória

O secretário-geral da NATO garantiu esta sexta-feira numa entrevista à BBC que a aliança não pretende provocar quaisquer confrontos com a Rússia nem dar início a uma nova Guerra Fria — uma ideia que já tinha sido transmitida pelo vice de Jens Stoltenberg numa entrevista recente ao Expresso.

Ao canal britânico, o chefe da aliança diz que o destacamento planeado de 4 mil soldados de estados-membros da NATO no leste da Europa tem como objetivo prevenir e não provocar conflitos com o seu grande arquirrival. Apesar do momento de alta tensão que a diplomacia internacional atravessa, acrescenta Stoltenberg, a NATO não vê na Rússia uma ameaça.

Neste momento, as relações entre o bloco de aliados e Moscovo estão no seu nível mais baixo desde o final da Guerra Fria, numa escalada de tensões potenciada pela anexação da península ucraniana da Crimeia pela Rússia em 2014 e as subsequentes sanções impostas a membros do Governo de Vladimir Putin e a empresas russas pela União Europeia e os Estados Unidos.

A situação piorou com a entrada da Rússia na guerra civil da Síria em apoio ao seu aliado Bashar al-Assad; os dois Governos são acusados pelo Ocidente de cometerem crimes de guerra na ofensiva militar contra áreas de maioria civil sob controlo dos opositores ao regime sírio, em particular no leste de Alepo. Putin rejeita as alegações, que classifica de "ridículas".

A entrevista de Stoltenberg acontece a poucos meses de quatro batalhões da NATO com mil soldados cada, liderados pelos Estados Unidos, o Reino Unido, o Canadá e a Alemanha, partirem para a Polónia, a Estónia, a Letónia e a Lituânia — um destacamento que está previsto para o início do próximo ano. Apesar da mobilização militar em larga escala, o chefe da NATO garante que os aliados continuam "investidos em procurar uma relação mais cooperativa e construtiva" com a Rússia e que a operação que terá início em 2017 é "baseada numa defesa coletiva" com o objetivo de "dissuadir" Moscovo em resposta às suas ações na Ucrânia e à retórica de vir a recorrer a armas nucleares para intimidar as nações europeias, refere Stoltenberg.

A NATO diz que a Rússia tem cerca de 33 mil tropas estacionadas na sua fronteira ocidental. No início desta semana, gerou-se um momento de tensão entre os aliados após notícias de que Espanha ia autorizar uma frota de navios russos a abastecerem-se no porto de Ceuta em rota para o Mediterrâneo. Essa permissão acabou por ser revogada pelas autoridades espanholas.