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Deus fez um ultimato a Duterte e ele prometeu-lhe “parar de usar palavrões”

Pool Getty Images

Depois de uma visita oficial ao Japão, Presidente das Filipinas diz ter ouvido uma voz durante o voo de regresso que lhe disse que, se ele não se comprometesse a parar de praguejar, o avião ia cair

O controverso Presidente das Filipinas diz que prometeu a deus que vai parar de usar linguagem vulgar depois de uma voz lhe ter dito, no voo de regresso de uma viagem oficial ao Japão, que ia provocar a queda do avião se ele não prometesse parar de dizer asneiras.

"Ouvi uma voz a dizer-me para parar de praguejar ou o avião ia cair a meio da viagem, então prometi parar", declarou aos jornalistas esta sexta-feira após aterrar no aeroporto de Davao, a cidade que governou durante 22 anos antes de vencer as presidenciais em julho deste ano.

Desde que chegou ao poder nas Filipinas, Duterte, "o Justiceiro", como é conhecido por grande parte da população do arquipélago, ganhou fama internacional pela sua campanha de execuções de suspeitos traficantes e toxicodependentes mas também pelos insultos totalmente incomuns na diplomacia internacional.

Ainda antes de ser eleito, chamou "filho da puta" ao Papa Francisco; já depois de ser eleito, teceu o mesmo insulto ao Presidente norte-americano, Barack Obama e ao embaixador dos Estados Unidos em Manila, homossexual assumido; disse que a União Europeia é "hipócrita" antes de mostrar o dedo do meio às câmaras, dirigido ao bloco regional; ameaçou retirar as Filipinas da ONU e aceitou as comparações a Adolf Hitler, dizendo que não teria quaisquer problemas em ordenar a matança de três milhões de toxicodependentes.

A BBC aponta que a sua linguagem bruta e sem filtros, quase sempre usada em insultos ao Ocidente pelas críticas à sua estratégia de combate ao tráfico e consumo de droga, tem contribuído para a sua popularidade nas Filipinas. Numa sondagem nacional conduzida no início de outubro, 76% dos filipinos disseram estar "satisfeitos" ou "muito satisfeitos" com os primeiros três meses de governação de Duterte.

Desde que tomou posse a 1 de julho, pelo menos 3600 pessoas já foram mortas pela polícia e por esquadrões de "vigilantes" aos quais Duterte garante não ter ligações, mas que segundo uma reportagem do "The Guardian", são compostos por agentes das forças de segurança a atuar à margem da lei. Os insultos que costuma proferir surgem sempre em reação às críticas generalizadas da comunidade internacional à postura que tem assumido face ao problema da droga no país, marcada por inúmeras violações de direitos humanos.

Durante o voo desta madrugada, Duterte diz que prometeu a deus que vai parar de usar "calão, palavrões e tudo", sublinhando que "uma promessa a deus é uma promessa ao povo filipino". Aos jornalistas, o Presidente disse contudo que esta promessa tem os seus limites consoante os alvos dos seus insultos: parar de proferir palavrões para criticar os EUA, a UE ou o arco político da sua principal rival, a senadora Leila de Lima, vai depender do momento, citam os media locais.

Tal como a grande parte da população filipina, Duterte identifica-se como católico, apesar das suas declarações degradantes para as mulheres e apesar de ter insultado o chefe máximo da Igreja Apostólica Romana por ter causado engarrafamentos de trânsito durante uma sua visita às Filipinas. Ainda enquanto governador, Duterte falou pela primeira vez publicamente sobre os abusos sexuais que sofreu às mãos de um padre americano enquanto criança, algo que, diz, serviu de base à formação das suas visões polítiicas.