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Internacional

Um polícia morto e dois feridos em protestos da oposição a Maduro na Venezuela

RONALDO SCHEMIDT

Episódios de violência marcaram a noite de quarta-feira na Venezuela, em particular no estado de Miranda, numa altura em que a oposição continua a tentar afastar o Presidente do poder e sentá-lo no banco dos réus por alegada "negligência no cumprimento das suas funções"

Um agente da polícia morreu e outros dois ficaram feridos ontem no estado de Miranda, na Venezuela, durante uma das manifestações convocadas pela oposição contra o Presidente Nicolás Maduro, segundo informações do Ministério do Interior e da Justiça. Em declarações aos jornalistas, o ministro Néstor Reverol disse que os agentes de Miranda foram atingidos "num ataque com armas de fogo" por "alguns manifestantes" quando "tentaram dispersar a manifestação", uma das várias convocadas pela oposição no rescaldo da suspensão do referendo à governação de Maduro.

O Ministério Público, avançou o governante, já abriu uma investigação ao incidente depois de duas pessoas terem sido detidas "para averiguações". A polícia de Miranda — estado que é governado por Henrique Capriles, um dos mais proeminentes líderes da oposição a Maduro, que foi derrotado pelo sucessor de Hugo Chávez nas presidenciais de 2013 — informou no Twitter que o incidente teve lugar em San Antonio de Los Altos e que os autores dos disparos continuam "por identificar".

Alfredo Romero, líder de uma organização não-governamental local, a Fórum Penal, já tinha dado conta de que os protestos de quarta à noite em Miranda tinham gerado mais de 20 feridos e 39 detidos. Entre os feridos, disse o ativista no Twitter, estão três pessoas que foram baleadas na cidade de Maracaibo. Ao todo, foram registados confrontos entre os manifestantes e as autoridades em cinco dos 24 estados da Venezuela. Pelas 21h30 locais, Romero avançou que, dos 208 detidos, 119 pessoas continuavam presas àquela hora.

No rescaldo da jornada de protestos, a oposição venezuelana, integrada na aliança Mesa da Unidade Democrática (MUD), convocou uma greve geral de 12 horas para a próxima sexta-feira e uma manifestação junto ao palácio presidencial para o próximo dia 3 de novembro. A convocatória pública foi feita pelo secretário executivo da MUD, Jesús Torrealba, no final do protesto anti-Maduro em Caracas, a capital, que contou com milhares de participantes.

Torrealba diz que a greve geral será “um protesto contra a violação do direito ao voto” e apelou ontem aos venezuelanos para que, depois de amanhã, “deixem as ruas vazias e o país deserto”, enquanto a Assembleia Nacional, atualmente dominada pela oposição, “avança no caminho parlamentar para aprovar o afastamento de Maduro do seu cargo por negligência”.

Pouco depois, o atual presidente do parlamento venezuelano, Henry Ramos Allup, convocava uma manifestação para 3 de novembro frente ao palácio de Miraflores que, garantiu, será "pacífica mesmo que as forças repressivas do regime tentem impedi-la". Nesse dia, prometeu Allup, "vamos notificar Nicolás Maduro de que o povo venezuelano o declara responsável por negligência no exercício das suas funções políticas".

As manifestações da noite passada aconteceram um dia depois de ter sido anunciado que o Governo e a oposição iam finalmente sentar-se à mesma mesa para negociar uma resolução da crise política em curso, potenciada pela queda dos preços do petróleo nos mercados mundiais, que tem levado à escassez de bens de primeira necessidade e de medicamentos em toda a Venezuela e que gerou um momento de alta tensão social e política no país.

O anúncio das negociações formais foi feito pelo Vaticano após um encontro entre Maduro e o Papa Francisco, mas vários líderes da oposição, entre eles Capriles, desmentiram que a reunião vá ter lugar (estará marcada para o próximo sábado sob mediação da UNASUR).

A situação no país piorou há uma semana quando o Conselho Nacional Eleitoral suspendeu a segunda fase de recolha de assinaturas pela oposição a fim de conseguirem convocar uma consulta popular à presidência de Maduro. As autoridades eleitorais alegam que houve fraude na primeira fase do processo; a MUD desmente, acusando o Conselho Eleitoral de ser um fantoche do Presidente socialista e de fazer tudo para travar o referendo.