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Saida Ahmad Baghili: o reflexo do conflito no Iémen

ABDULJABBAR ZEYAD / REUTERS

O Iémen é um país dilacerado pela guerra civil, que dura desde 2015. É alvo frequente de bombardeamentos da Arábia Saudita, apoiados pelo Governo americano. Como consequência do conflito, milhões de pessoas sofrem de malnutrição, incluindo um milhão e meio de crianças. Saida Ahmad Baghili encontra-se no hospital de Al Hudaydah a receber cuidados de saúde. Não consegue comer alimentos sólidos devido às dores na garganta. Uma doença que dura há já cinco anos, mas não procurou ajuda médica mais cedo devido a condicionalismos económicos

Sumo, leite e chá: é a dieta que permite a sobrevivência de Saida Ahmad Baghili. A menina de 18 anos, que não consegue comer, está desde sábado internada no hospital da cidade de Al Hudaydah, situada à beira do mar Vermelho, no Iémen. É um dos rostos que refletem o problema de malnutrição que afeta 14 milhões de pessoas no país, um número que corresponde a mais de metade da sua população.

A malnutrição no Iémen é um problema que assola todo o território devido, sobretudo, à guerra civil que se prolonga já há 19 meses. O caso desta menina lança um alerta sobre a crise humanitária que se vive no país mais pobre da Península Arábica e onde pelo menos 10 mil pessoas já morreram no conflito. A população carece de alimentos, com a maior parte do país à beira da fome.

ABDULJABBAR ZEYAD / REUTERS

Saida Ahmad Baghili é originária da pequena vila de Shajn, a cerca de 100 quilómetros a sudoeste da cidade de Al Hudaydah, onde costumava trabalhar com ovelhas. Começou a manifestar sinais de malnutrição há cinco anos, segundo declarações da sua tia, Saida Ali Baghili, à “Reuters”. “Estava tudo bem e ela estava de boa saúde. De repente, ficou doente”, conta a tia, descrevendo que a pequena se queixava de dores na garganta e que depois de ter começado a guerra a sua condição piorou e família não tinha meios monetários para lhe garantir o tratamento.

A menina foi perdendo peso e nos últimos dois meses desenvolveu diarreia. Até que, explica a tia à “Reuters”, algumas pessoas se ofereceram para ajudar a pagar os tratamentos. Também citada pela agência americana, uma das enfermeiras do hospital confirmou que as causas de malnutrição de Saida Ahmad Baghili são a “sua situação financeira e o atual contexto de guerra”.

ABDULJABBAR ZEYAD / REUTERS

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, já recebeu duras críticas por não retirar o apoio americano ao Governo da Arábia Saudita, que desde março tem bombardeado os rebeldes houthis no Iémen, escreve a “ABC News”.

De acordo com dados da Unicef, um milhão e meio de crianças iemenitas sofrem de desnutrição, sendo que 370 mil dos casos se trata de “malnutrição grave”, que contribui para o enfraquecimento do sistema imunológico destas crianças, aumentando dez vezes o risco da sua morte, escreve o jornal regional francês “Le Dauphiné Libéré”.

O mesmo jornal refere que o Programa Alimentar Mundial, organismo de ajuda alimentar da ONU, publicou um comunicado no qual se verifica uma “preocupação pela deterioração da segurança alimentar e as crescentes taxas de malnutrição infantil no Iémen”, que são motivo de alarme. Para prestar um auxílio alimentar efetivo, este organismo precisa de “mais de 235 milhões de euros” até março de 2017.