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Prémio Sakharov para duas mulheres da minoria Yazidi

Uma das ativistas premiadas, Nadia Murad, a cumprimentar o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Marc Ayraul, à margem de um encontro na sede da ONU no passado dia 19 de setembro

KENA BETANCUR/GETTY

Duas mulheres que foram vítimas de escravidão sexual pelo autoproclamado Estado Islâmico e conseguiram escapar vencem este ano o prémio do Parlamento Europeu para os Direitos Humanos

As ativistas Nadia Murad e Lamia Haji Bachar são as vencedoras do Prémio Sakharov 2016, atribuído pelo Parlamento Europeu no âmbito dos Direitos Humanos.

Sequestradas em agosto de 2014 pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) na aldeia de Kocho, no norte do Iraque, as duas mulheres da minoria Yazidi foram feitas escravas sexuais por vários meses, acabando depois por conseguirem escapar dos sequestradores.

Mais tarde, estas duas mulheres tornaram-se ativistas defendendo os direitos e as liberdades das mulheres daquela minoria étnica que são frequentemente alvo de vários abusos por parte dos jiadistas.

Com este reconhecimento “estamos a demonstrar que a luta delas não tem sido em vão e que estamos preparados para ajudá-las na sua luta contra as dificuldades e a brutalidade levada a cabo pelo autoproclamado Estado Islâmico, perante o qual várias pessoas ainda continuam expostas”, afirmou o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz.

Também o líder do Grupo da Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa, Guy Verhofstadt, sublinhou a importância do trabalho levado a cabo pelas duas ativistas. “São mulheres inspiradoras que têm demonstrado braveza e humanidade face a esta desprezível brutalidade. Estou orgulhoso pelo facto de terem sido galardoadas com o Prémio Sakharov 2016”, declarou Guy Verhofstadt, líder do Grupo da Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa, citado pela AP.

Prémio entregue a 14 de dezembro

Nadia Murad conseguiu fugir do cativeiro em novembro de 2015 com a ajuda de uma família vizinha local. Foi levada para um campo de refugiados no norte do Iraque, tendo-se deslocado depois para outro campo de refugiados na Alemanha. Já Lamia Haji Bachar só conseguiu escapar em abril, ajudada pela própria família, que pagou a traficantes. Durante a fuga, uma mina explodiu ficando gravemente ferida no rosto, recebendo depois tratamento na Alemanha.

Nadia discursou no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) na primeira sessão sobre tráfico humano e tornou-se depois Embaixadora da Boa Vontade da ONU para a Dignidade dos Sobreviventes do Tráfico de Seres Humanos. Lamia continua por sua vez a ajudar mulheres e crianças da minoria Yazidi, que continuam a ser vítimas do Estado Islâmico.

O prémio europeu – que nasceu em 1988 e premeia pessoas e organizações que se distinguem ao nível da defesa da liberdade de pensamento e expressão e Direitos Humanos – será entregue no próximo dia 14 de dezembro numa cerimónia que terá lugar em Estrasburgo.

No ano passado, o vencedor do galardão foi o bloguer saudita Raid Badawi, que foi condenado a 10 anos de prisão e mil chicotadas, acusado de ter insultado o Islão nas suas publicações online.