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Dois milhões de ratos em Nova Iorque? Sylvester e Alfreda já estão a tratar do assunto

A ideia de usar uma solução "natural" contra os ratos - usar gatos - é cada vez mais popular nos EUA

Luís M. Faria

Jornalista

Há alguns anos, uma executiva que trabalhava em Chicago tinha um problema com ratos. "Tentámos veneno, tentámos afogá-los, tentámos gás, tentámos tudo. Nada, nada resultou", explicou ela recentemente à imprensa local de Nova Iorque. O desespero dela e do marido era tal que começaram a pensar em mudar-se. E de repente, descobriram a solução: gatos.

Essa executiva não foi a única pessoa a ter a mesma ideia. Chicago, nesse aspeto, parece ter-se tornado um modelo, com um programa estruturado para usar os felinos na caça às suas presas naturais. Agora a Grande Maçã está a tentar a mesma abordagem. Existem mais de dois milhões de ratos na cidade, segundo a última estimativa. Encontram-se lá há centenas de anos, sendo especialmente prevalentes nas zonas pobres e nos prédios mais velhos. Transmitem vírus, bactérias, doenças; destroem infraestruturas (chegam a roer paredes e cabos de ferro); causam repugnância e terror.

Tal como outras cidades, Nova Iorque continua a usar métodos diversos, incluindo ácido e pesticidas, para se tentar livrar deles. Mas a que está atualmente mais na moda são os gatos. Outro problema que a cidade tem são os gatos selvagens e vários. Talvez meio milhão deles, muitos dos quais foram abandonados pelos donos. Ao contrário dos ratos, têm geralmente capacidade de despertar ternura nos residentes humanos. Mas estão constantemente a ser expulsos dos seus lugares tradicionais, em especial das zonas que se vão modernizando, o que em Nova Iorque é um processo contínuo.

Basta os ratos sentirem que eles andam por ali...

Recuperar os gatos e dar-lhes uma função útil e necessária parecia óbvio. É isso mesmo que se está a fazer. Em conjunto com uma iniciativa de proteção dos animais coordenada pela câmara e que associa uma grande quantidade de associações privadas, os gatos são recolhidos - ensina-se aos cida-dãos métodos eficazes para os apanhar - vacinados, castrados, e novamente postos em liberdade em determinadas áreas na sua zona habitual.

Consta que resulta. E muitas vezes nem é preciso o gato matar os ratos. Estes não se aproximam se sentirem a sua presença - por exemplo, através de fezes, ou até do simples cheiro. "Uma mãe rato nunca dará à luz próximo de um predador porque os gatos comeriam os bebés", disse um responsável camarário ao jornal "Daily News".

Um dos locais onde a ideia tem sido aplicada com sucesso é o Javits Center, um grande centro de convenções no lado oeste de Manhattan. Os quatro gatos adoráveis que lá residem, chamados Alfreda, Mama Cat, Sylvester e Ginger, não têm dado origem a queixas. Além de fazerem o seu "trabalho" como deve ser, também já se habituaram a horas de comer fixas e outras rotinas.

"Não são exatamente do género de nos subirem para o colo, mas estão um pouco mais sociáveis do que quando chegaram aqui", explica Rebecca Marshall, responsável de sustentabilidade no centro.