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Bélgica chega a acordo para o tratado da UE com o Canadá

Primeiro-ministro belga, Charles Michel

Dean Mouhtaropoulos/GETTY

Primeiro-ministro belga anunciou ter chegado a acordo com o governo regional da Valónia, que até aqui se opusera à assinatura do tratado de comércio livre

Helena Bento

Jornalista

Parece ter chegado ao fim o impasse para a assinatura do Acordo de Comércio Livre da União Europeia com o Canadá, conhecido pela sigla CETA. Charles Michel, primeiro-ministro belga, anunciou esta quinta-feira ter chegado a acordo com o governo regional da Valónia, que até aqui se tinha manifestado contra a assinatura do tratado. “Todos os parlamentos estão agora prontos para aprovar o acordo até à meia-noite de sexta-feira”, escreveu Charles Michel na sua conta no Twitter, considerando que foi dado um “um passo importante para a União Europeia e para o Canadá”.

Para entrar em vigor, o tratado de comércio livre, que se encontra pendente há sete anos, precisava do apoio de todos os 28 Estados-membros do bloco. Mas os socialistas da Valónia, por considerarem, entre outros aspectos, que os agricultores europeus viriam a ser prejudicados, impondo como condição para a sua assinatura a garantia de mais direitos para os trabalhadores, manteve durante muito tempo um finca-pé, recusando-se a dar o “ok” final. Um outro argumento usado pelos socialistas valões era o de que o CETA viria dar demasiado poder às multinacionais, limitando, ao mesmo tempo, os regimes dos Estados-nação.

“Finalmente há fumo branco. Acordo com a Bélgica alcançado. Esperamos que o tratado entre a UE e o Canadá possa ser assinado em breve”, escreveu a comissária europeia do Comércio, Cecilia Malmström, na sua conta no Twitter. Apesar de ter sido, ao que tudo indica, resolvido o impasse criado pela região francófona da Valónia, os restantes Estados-membros têm ainda de se pronunciar sobre o assunto.

A cimeira UE-Canadá, onde o tratado comercial seria formalmente assinado, estava marcada para esta quinta-feira, mas foi cancelada. Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá, não chegou sequer a viajar para Bruxelas. Não foi ainda marcado um novo encontro.

Ainda na quarta-feira, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmava no Parlamento Europeu que a UE ainda não estava “pronta a assinar o acordo com o Canadá”, mas que as conversações prosseguiam na Bélgica. Tusk insistiu que se a União Europeia não for capaz de fechar um acordo de livre comércio com o Canadá, haverá “obvias consequências para a posição global do bloco europeu”.