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Ataque a escola: “Já não há lugares seguros na Síria”

ABED KONTAR/EPA

A frase é de Majd Khalaf, membro dos White Helmets em Idlib. O ataque aéreo, que grupos de monitorização dizem ter sido levado a cabo, mais uma vez, pelo regime sírio apoiado pela Rússia, resultou na morte de 35 pessoas, na sua maioria crianças, e outras 30 ficaram feridas

Helena Bento

Jornalista

É já considerado o ataque mais mortal a uma escola desde o início da guerra civil na Síria. Aconteceu na cidade de Hass, na província de Idlib, na quarta-feira. Pelo menos 35 pessoas morreram, na sua maioria crianças, e outras 30 ficaram feridas.

“Os civis estão em choque, sobretudo os pais das crianças da escola atingida”, disse Majd Khalaf, membro dos White Helmets em Idlib, em declarações ao Expresso. “Já não há lugares seguros na Síria”, lamentou.

Ainda não se sabe quem foram os responsáveis pelos bombardeamentos que deixaram as instalações da escola totalmente destruídas, mas as equipas de resgate e alguns grupos de monitorização do conflito garantem ter sido levado a cabo pelo regime de Bashar al-Assad, com o apoio da Rússia, Irão e milícias xiitas do Hezbollah, à semelhança de ataques anteriores, naquela província ou noutras, como a de Alepo.

“Este foi, provavelmente, o mais mortal ataque a uma escola desde o início da guerra civil na Síria, há mais de cinco anos”, disse Anthony Lake, diretor do estabelecimento de ensino, citado pelo britânico “The Guardian”. “É uma tragédia. Houve pais que perderam filhos e professores que perderam alunos”. O diretor descreveu ainda o ataque aéreo como “um crime de guerra, visto ter sido cometido de forma deliberada”.

Uma porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros russo afirmou que Moscovo não teve nada a ver com os bombardeamentos. Classificando de “mentirosas” as acusações de envolvimento da Rússia e do regime sírio, a porta-voz anunciou que o ataque vai ser imediatamente investigado.

Segundo as Nações Unidas, desde o início de 2016 foram registados 38 ataques a escolas na Síria, tanto em regiões controladas pelo regime, como em áreas ocupadas pela oposição.

Controlada pelos rebeldes da oposição - Exército Livre da Síria e islamitas da antiga Frente al-Nusra, atual Jabhat Fateh al-Sham - a cidade de Idlib fica a 59 quilómetros do sudoeste de Alepo, onde morreram pelo menos 100 pessoas nos últimos dias, igualmente vítimas de ataques aéreos.

Na quarta-feira, na reunião dos membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, Stephen O'Brien, chefe da ONU para as questões humanitárias e ajuda de emergência, disse que o falhanço do organismo mais poderoso das Nações Unidas em agir face à situação trágica de Alepo, onde os bombardeamentos continuam a matar civis quase todos os dias, é “a vergonha da nossa geração”.