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Ana Gomes “muito satisfeita” com atribuição do Prémio Sakharov

António Pedro Ferreira

A eurodeputada congratulou-se com o facto de duas iraquianas terem sido distinguidas pelo galardão este ano. São “duas jovens yazidi, absolutamente admiráveis, que sofreram horrores”, sublinhou Ana Gomes

A eurodeputada Ana Gomes considerou esta quinta-feira "muito bem atribuído" o Prémio Sakharov 2016 às jovens yazidi Nadia Murad e Lamia Bashar que, apesar do que sofreram às mãos dos 'jihadistas', "não descansaram" na denúncia do sofrimento daquela minoria.

São "duas jovens yazidi, absolutamente admiráveis, que sofreram horrores, raptadas e escravizadas pelos bandidos do chamado Estado Islâmico, que conseguiram escapar com grande sofrimento pessoal (...) e que não descansaram, apesar das terríveis feridas, visíveis e invisíveis, para chamar a atenção para as muitas mulheres e crianças que permaneciam capturadas e escravizadas pelo Estado Islâmico", disse a eurodeputada, contactada telefonicamente pela Lusa.

"Tenho muita satisfação" e "penso que é um prémio muito bem atribuído", acrescentou Ana Gomes, que em julho, no quadro dos esforços que tem desenvolvido para trazer para Portugal um grupo de refugiados yazidi, promoveu uma conferência de imprensa em Lisboa com uma das jovens, Lamia Haji Bashar, e com o médico também yazidi, Mirza Dinnay.

A eurodeputada socialista, que há meses defende a criação de um programa financiado pela União Europeia para "apoiar a recuperação psicológica e física" de pessoas como as jovens yazidi e para "ajudar a salvar as que lá estão", espera ainda que a atribuição do Prémio Sakharov a Nadia e Lamia "facilite isso".

A ideia, explicou, parte de um programa que o referido médico yazidi, um dirigente "absolutamente admirável" que, na Alemanha, onde reside, conseguiu o apoio financeiro do estado de Baden-Wurtenberg para um programa para resgatar mulheres yazidi das mãos dos jiadistas e apoiar a sua recuperação, física e psicológica.

O Parlamento Europeu atribuiu hoje o Prémio Sakharov 2016 de Liberdade de Expressão às ativistas yazidi do Iraque Nadia Murad Basee e Lamiya Ali Bashar, escravizadas sexualmente pelo grupo extremista Estado Islâmico durante meses.

A escolha foi anunciada hoje em conferência de presidentes da assembleia europeia, reunida em sessão plenária em Estrasburgo.

Nadia Murad Basee e Lamiya Aji Bashar, foram escolhidas pelos esforços na defesa da comunidade yazidi e das mulheres que sobrevivem à escravidão sexual às mãos dos jiadistas, tendo-se tornado porta-vozes da sua comunidade na denúncia dos crimes de guerra e genocídio perpetrados pelo Estado Islâmico.

O prémio deverá ser entregue a 14 de dezembro em Estrasburgo.