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Internacional

ONU diz que Daesh está a cometer “atrocidades contra civis” em Mossul

MAHMOUD AL-SAMARRAI

Fontes do governo iraquiano e civis avançaram à organização que o grupo radical está apostado na matança de civis ao redor do seu último bastião no Iraque para impedir rebelião e fugas, alimentadas pela ofensiva das tropas iraquianas e curdas iniciada há uma semana para reconquistar a cidade

À medida que as tropas iraquianas e curdas avançam em direção ao centro urbano de Mossul com o apoio aéreo da coligação internacional, o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) está apostado numa matança de civis ao redor daquela cidade iraquiana como forma de controlar as centenas de milhares de pessoas que continuam encurraladas ali. A informação foi avançada ontem por um porta-voz da ONU com base em informações recolhidas no terreno por civis e por fontes do Governo iraquiano sob anonimato, um conjunto de alegações que a organização diz considerar "preliminares" para já.

De acordo com as várias fontes que contactaram a ONU, avançou ontem Rupert Colville, o grupo radical executou uma série de "atrocidades" entre quarta-feira e domingo ao redor de Mossul, logo após o anúncio da ofensiva terrestre e aérea para reconquistar a cidade, a segunda maior do Iraque e o último bastião do Daesh no país, a partir de onde declarou a instalação de um califado na região em junho de 2014.

Na vila de Safina, 45 quilómetros a sul de Mossul, militantes do grupo terão executado 15 civis antes de largar os seus corpos num rio, no que as autoridades dizem ter sido uma demonstração de força e um ato de intimidação aos civis que planeiem fugir alumiados pela operação militar. No mesmo dia, 19 de outubro, também em Safina, "seis civis terão sido atados a um veículo pelas mãos e arrastados pela vila, aparentemente pelo simples motivo de terem ligações ao líder de uma tribo que está a participar nas batalhas contra o ISIL [Daesh]", avançou Colville.

No dia seguinte, as forças de segurança iraquianas descobriram os corpos de outras 70 pessoas crivados de balas perto da aldeia de Tuloul Naser (segundo o porta-voz da ONU, ainda não se sabe quem foi responsável por estas mortes). Já no sábado, outro grupo de militantes do Daesh terá abatido três mulheres e três raparigas durante uma marcha forçada pela vila de Rufeila, também no sul de Mossul. No domingo, os 50 agentes da polícia iraquiana que o Daesh tinha capturado terão sido mortos nos arredores da cidade, acrescentou Colville. "Tememos que estes não vão ser os últimos relatos que recebemos de tais atos bárbaros pelo ISIL", disse aos jornalistas em Genebra.

De olho em Raqqa

De acordo com a Al-Jazeera, neste momento as forças iraquianas que combatem o Daesh no terreno conseguiram ontem alcançar uma posição no leste de Mossul a uma distância reduzida o suficiente para lançarem ataques contra o grupo. Os avanços das tropas de elite de contraterrorismo (CTS) firmaram a reconquista do subúrbio oriental da cidade. "Na nossa frente, avançámos até [uma área a] cinco ou seis quilómetros de Mossul", disse à AFP o comandante das forças leais ao Governo, o general Abdelghani al-Assadi. "Agora temos de nos coordenar com as forças de outras frentes para lançar um ataque coordenado" contra a cidade de Bartalla, de maioria cristã.

A notícia foi avançada à mesma hora em que representantes da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos estavam reunidos em Paris para rever a estratégia de ofensiva contra o bastião iraquiano do Daesh. "Estamos encorajados pelos resultados da nossa campanha até agora, tem avançado como previsto", declarou Ashton Carter, responsável máximo das tropas norte-americanas, numa reunião que, segundo o mesmo, serviu para debater "como podemos proteger os nossos países à medida que dizimamos o ISIL no Iraque e na Síria".

O chefe do Pentágono diz que a coligação está agora a ultimar os planos para reconquistar Raqqa, a capital de facto do Daesh na Síria, apesar de neste momento as forças disponíveis serem insuficientes para combater os cerca de 4000 militantes do grupo naquela cidade. "Resolvemos avançar com a mesma urgência e convergência para circundar e acabar com o controlo do ISIL sobre Raqqa", declarou Carter aos membros da coligação. "Na verdade, já começámos a delinear os planos com os nossos parceiros para dar início ao isolamento de Raqqa."