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Internacional

Capacidade de produção de energias renováveis ultrapassa a do carvão

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Jose Carlos Carvalho

Agência Internacional de Energia diz que produção de eletricidade a partir de fontes renováveis, uma das grandes apostas de combate às alterações climáticas, correspondeu a mais de metade do aumento de capacidades energéticas registado em 2015

Durante o ano passado, meio milhão de painéis solares foram instalados por dia em todo o mundo e, na China, a cada hora foram erguidas duas turbinas eólicas. Os dados são da Agência Internacional de Energia (AIE), que no seu último relatório sublinha que 2015 viu a capacidade mundial de produção de energia a partir de carvão ser ultrapassada pelas energias renováveis.

Até dezembro, a aptidão de produzir eletricidade a partir de fontes renováveis, uma das maiores apostas no combate às alterações climáticas, correspondeu a mais de metade do aumento das capacidades energéticas globais. Neste momento, aponta a AIE, apenas a capacidade de gerar energia 'verde' ultrapassou o carvão, não a quantidade de eletrcidade realmente produzida no ano passado.

As energias renováveis, como a eólica, solar, hidroelétrica ou geotérmica, são intermitentes. Ao contrário do carvão, estão dependentes de fontes naturais como a luz do sol ou o vento, o que cria obstáculos à produção contínua de eletricidade 24 horas por dia, todos os dias.

Apesar dessa disparidade entre as capacidades teóricas e as capacidades reais de produção de eletricidade a partir de tecnologias verdes, o relatório da AIE mostra que estão a ser desenvolvidas em larga escala, um marco na luta contra o aquecimento global. "Estamos a testemunhar uma transformação dos mercados energéticas globais liderada pelas renováveis", diz o diretor-executivo da agência, Fatih Birol, citado pela BBC.

Esta expansão reflete as reduções de custos na instalação de painéis solares e moinhos de vento em terra firme, um avanço "impressionante" que seria "impensável há cinco anos", é referido no documento. A tendência de queda dos preços destas duas tecnologias deverá continuar, com a AIE a antecipar que venham a representar três quartos do futuro crescimento das energias renováveis a nível global. O investimento em hidroeletricidade também deverá continuar a crescer mas a um ritmo mais lento do que até agora.

A par da queda dos custos, a agência aponta como motores deste avanço políticas sustentáveis adotadas por vários Governos que passam por garantir incentivos financeiros às empresas que apostam em fontes renováveis de energia, exemplo dos Estados Unidos, que alargou os créditos fiscais. A Índia, a China e o México são apontados como os que mais contribuíram para as perspetivas de crescimento do setor.

No relatório é explicado que o foco das energias renováveis está a mudar-se para os mercados emergentes, com a China à cabeça, "que continua a ser o líder global indisputável da expansão das energias renováveis, representando quase 40% do crescimento".

Apesar da nota positiva, Birol sublinha que os esforços e a aposta no setor continuam a ser insuficientes. "Até as mais altas expectativas continuam a ser modestas quando comparadas com o enorme potencial explorado das renováveis", refere. No relatório, a agência sublinha que também deve ser dada mais atenção às possibilidades de aplicação da eletrcidade verde. Casos como o setor dos transportes ou de aquecimento mostram que "o progresso da penetração de renováveis continua lento".

A concluir, o organismo sublinha que, para se cumprirem os objetivos delineados pela comunidade internacional em cimeiras do clima como a de dezembro passado em Paris, "são necessárias taxas mais altas de descarbonização [o que se traduz na substituição de combustíveis fósseis] e uma penetração acelerada das renováveis na totalidade dos três setores — eletricidade, transportes e aquecimento."