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Expresso

Internacional

145 crianças-soldado foram libertadas no Sudão do Sul

É a maior libertação de crianças dos campos de guerra deste ano. A Unicef garantiu que vai providenciar ajuda médica e social aos 145 menores libertados, no entanto o seu grande objetivo é retirar dos cenários de guerra todas as crianças-soldado, um total de 16 mil crianças

Combatiam em dois grupos rebeldes no Sudão do Sul - na Fação Cobra e no Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA), principal grupo contra o Governo. Esta quarta-feira, a Unicef, agência das Nações Unidas para aa infância, anunciou que a guerra não vai mais fazer parte da realidade de 145 crianças que foram libertadas esta terça-feira.

Após a sua libertação, que ocorreu na cidade de Pibor, a nordeste da capital Juba, as crianças foram desarmadas e vestidas com roupas civis, referiu a Unicef, citada pela BBC. A Reuters avança também que os jovens foram submetidos a exames médicos e vão fazer parte de um programa de reintegração que inclui ajuda psicossocial. As suas famílias estão também a ser contactadas, para que as crianças possam voltar para casa. De acordo com a Unicef, vai ser providenciado apoio alimentar a estas crianças durante três meses.

Esta foi a maior libertação de crianças-soldado deste ano, escreve a Reuters. Em 2015, 1775 crianças foram desmobilizadas, a maioria pela Fação Cobra. No entanto, 16 mil crianças ainda combatem em “grupos armados” no Sudão do Sul e a Unicef alerta que vários destes grupos continuam a recrutar, estimando-se que 800 crianças se tenham alistado este ano.

O representante da Unicef no Sudão do Sul, Mahimbo Mdoe, pediu aos partidos que deixem de recrutar crianças para combaterem e para que libertem as que estão atualmente a lutar na guerra. A guerra prossegue no país e a Unicef continua a receber informações de que mais crianças estão a ser recrutadas em vários estados.

A prioridade da organização das Nações Unidas é que as crianças libertadas voltem agora para a escola. A instituição quer também garantir serviços para a comunidade para que as crianças possam ter esperança no futuro, disse Mdoe, citado pela Reuters.

A missão é proteger a família

Silva, uma criança-soldado de 11 anos, citada pela BBC, expressa o desejo de voltar para a escola. “Não quero combater mais, eu tive muito medo”, revela, afirmando que está na guerra há mais de dois anos e que não vê os pais desde o último verão. Enquanto se encontrava nas várias missões, tinha de carregar uma pesada AK-47. Fazia-o para proteger a sua família e a sua terra. Neste período, viu muitas pessoas a morrerem.

Muitas crianças são recrutadas à força quando as vilas onde moram são atacadas e as levam para combater. Outros simplesmente se alistam para não serem mortos ou para protegerem a sua comunidade.

Metade das crianças no Sudão do Sul não vai à escola, o que constitui a maior percentagem no mundo, afirma a Unicef. O país encontra-se em guerra civil desde dezembro de 2013, quando o Presidente Salva Kiir culpou o seu opositor, o ex-vice-presidente Riek Machar, de conspirar um golpe de Estado. Apesar do acordo de paz assinado em 2015, as violações sempre foram constantes, até que em julho as animosidades se intensificaram.