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Relato de quem foi refém dos piratas da Somália: “É bom voltar a ser humano”

Foram capturados a bordo do seu navio em março de 2012 e levados para a Somália posteriormente, onde viveram em condições miseráveis. Os marinheiros sentiam-se como “mortos-vivos” e tinham “de comer ratos”

Durante quase cinco anos estiveram reféns de um grupo de piratas da Somália. Para sobreviverem à fome, os 26 marinheiros comiam o que fosse preciso, incluindo ratos, revelou um dos sobreviventes, Arnel Balbero, à BBC. Foram libertados no passado sábado, depois de ser pago o resgate.

Os marinheiros são originários da China, Filipinas, Camboja, Indonésia, Vietname e Tailândia. Quando navegavam no navio “FV Naham 3”, a sul de Seychelles, um grupo de piratas capturou-os. O capitão da embarcação foi morto durante a captura, segundo a organização não-governamental “Oceans Beyond Piracy”, citada pela BBC.

Um ano depois, o navio afundou-se e os reféns foram levados para a Somália. Por essa altura mais dois membros da tripulação morreram devido a uma doença.

O marinheiro filipino Arnel Balbero revelou à BBC que os piratas não lhes davam comida. “Apenas nos forneciam pequenas quantidades de água. Nós tínhamos de comer ratos que cozinhávamos na floresta. Comíamos qualquer coisa”, confessa Balbero.

No entanto, o marinheiro afirma que agora, depois de libertado, está a ter dificuldades a ajustar-se à vida normal, porque “é difícil começar de novo”.

Outro marinheiro, Antonio Libref, citado pelo “The Guardian”, admite que “foram tratados como animais e que, por isso, agora é bom voltar a ser humano”. Esta segunda-feira, Libref teve a sua primeira refeição adequada, na capital do Quénia, Nairóbi, onde está à espera de ser repatriado para as Filipinas, local no qual espera encontrar a sua família. “Estou muito contente. Foi uma surpresa, não esperávamos ser libertados”, confessa ainda.

Libref diz que ainda não tem planos para o futuro e que, por enquanto, “estar livre já é suficiente”. O marinheiro tem uma mensagem para os piratas: “o que eles estão a fazer é muito mau. Capturar pessoas para pedir dinheiro. Qual é o valor do dinheiro?”.

Os detalhes sobre a forma como foram libertados e quem pagou o resgate ainda não foram conhecidos.

Como escreve a BBC, acredita-se que este seja dos últimos grupos que tinham sido sequestrados pelos piratas somalis, depois da onda de assaltos a partir da segunda metade dos anos 2000.

Os casos de pirataria ao largo da costa da Somália visavam normalmente um resgate. Nos últimos anos verifica-se uma diminuição no número de ocorrências, em parte também devido à existência de patrulhas militares internacionais nas áreas consideradas mais problemáticas.