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Furacão Matthew e votação antecipada na Florida, uma receita para potenciais surpresas

Joe Raedle / Getty Images

O governador republicano de um dos principais estados “swing” dos EUA tentou impedir a extensão do prazo de registo para eleitores na sequência do furacão Matthew, mas acabou por ser obrigado a ceder. Mais de 108 mil pessoas aproveitaram, o suficiente para ditar resultados inesperados naquele estado, como demonstraram as eleições presidenciais de 2012. Período de votação antecipada começou hoje, depois de mais de um milhão de habitantes daquele estado já terem votado por correspondência no último mês

Começou na segunda-feira o período de votação antecipada na Florida, um dos estados-chave das eleições presidenciais norte-americanas, onde Hillary Clinton e Donald Trump continuam muito próximos nas sondagens.

Ao longo desta semana, a candidata democrata e o adversário republicano estarão em várias cidades do estado a tentar atrair mais votos, numa altura em que o mais recente inquérito de opinião entre os habitantes da Florida, conduzido pelo YouGov para a CBS, aponta uma vantagem de três pontos percentuais à ex-secretária de Estado, que nessa sondagem angaria 46% das intenções contra 43% para o magnata de imobiliário.

Com a vitória de Clinton praticamente garantida, as atenções estão focadas nas corridas estatais, de representantes e senadores que também vão disputar votos a 8 de novembro para manterem ou alcançarem assentos no Congresso. Por essa razão, apontava na segunda-feira a revista “Slate”, Rick Scott tentou travar a extensão do prazo de registo para votar no rescaldo do poderoso furacão Matthew (que ali provocou poucos estragos quando comparado com o saldo superior a 900 mortos no Haiti).

O governador republicano da Florida teme que um aumento do número de eleitores possa ter um impacto nocivo para o partido, que neste momento detém maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, respetivamente a câmara baixa e a câmara alta do Congresso norte-americano, e que poderá ser castigado pelos eleitores por causa da campanha divisiva de Trump.

JEWEL SAMAD / GETTY IMAGES

Antes da passagem do furacão, parte dos milhões de habitantes do estado “swing” (sem tendência de voto demarcada a favor do Partido Democrata ou do Republicano) já estava a votar por correspondência, um número que ultrapassou o milhão e 100 mil votos no último mês. O prazo para registo na Florida terminava no início de outubro, mas Scott foi obrigado a alargá-lo até ao dia 18 sob uma ordem judicial.

Depois de ter ordenado a evacuação de uma série de áreas costeiras do estado, que correspondeu à retirada de mais de 1,5 milhões de habitantes das suas áreas de residência, vários ativistas eleitorais e grupos da sociedade civil exigiram que o prazo de registo fosse alargado para que aqueles que ainda não estavam preparados para votar pudessem fazê-lo. Scott começou por recusar o pedido, dizendo que “toda a gente teve muito tempo para se registar” junto das autoridades eleitorais. Um grupo de habitantes decidiu levar a exigência a tribunal e acabou por ganhar, com o juiz distrital Mark Walker a ditar que “o caso opõe o direito fundamental de voto a conveniências administrativas”.

Na sequência dessa decisão, mais de 108 mil pessoas acorreram aos departamentos eleitorais para poderem participar nas presidenciais e nas eleições para o Congresso, um número pequeno no contexto dos milhões de habitantes da Florida mas suficientemente grande para ter um grande impacto surpreendente nos resultados eleitorais — senão veja-se a vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais de 2012 naquele estado, onde derrotou o rival republicano Mitt Romney por apenas 74 mil votos.

No veredito, o juiz Walker tentou acalmar os ânimos, dizendo que o alargamento do prazo de registo nunca foi uma questão partidária. “Foi sugerido que a extensão do prazo para registo tem a ver com política. Disparates. Este caso tem a ver com o direito de eleitores que aspiram a registar-se e a ter os seus votos contabilizados. Nada é mais fundamental para a nossa democracia.”

Mas como nota a “Slate”, a questão acaba por tornar-se uma guerra entre democratas e republicanos quando alguém decide, no caso o governador Rick Scott, “que ter mais gente a votar é mau para o partido e, por isso, tenta impedir a votação a todo o custo”.

Depois de quase 464 mil eleitores republicanos da Florida e mais de 443 mil democratas do mesmo estado terem votado por correspondência nas últimas semanas, começou na segunda-feira o período de votação antecipada in loco. No total, quase seis milhões de americanos já votaram e cerca de 46 milhões tê-lo-ão feito até ao dia das eleições dentro de duas semanas, o correspondente a 40% do eleitorado.

No estado “swing” da Carolina do Norte, um dos mais importantes nestas eleições a par da Florida, houve mais democratas que republicanos a pedir boletins para votarem por correspondência.