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Calais: mais de 2000 migrantes já retirados, demolição da “selva” começa hoje

PASCAL ROSSIGNOL / Reuters

O primeiro dia da evacuação decorreu numa calma relativa e em ritmo acelerado. Desmantelamento das barracas começa esta terça-feira. Associações receiam tensões nos próximos dias, porque muitos migrantes e refugiados recusam sair de Calais e há regiões que não os querem receber

O Governo francês considera que correu bem e sem incidentes o primeiro dia, esta segunda-feira, da evacuação de 2318 migrantes, em autocarros, para diversos centros de “acolhimento e orientação” em todo o país. Todos estes já chegaram a 280 dos 450 albergues que foram criados no hexágono francês para os receber. Depois de instalados nos novos locais, os estrangeiros serão convidados a pedirem asilo em França. Os que não reúnem condições para obter esse direito serão expulsos do país, segundo as autoridades.

O número de retirados inclui cerca de 400 menores, que foram transferidos para um centro especial provisório localizado perto da “selva”, como era conhecido o bairro da lata onde estavam instalados, até esta segunda-feira, cerca de sete mil refugiados e migrantes, todos com o firme desejo de partir para Inglaterra. Londres, que já recebeu há dias cerca de 200 menores, garante que aceitará mais crianças se for provado que elas têm família no país.

Mas, apesar da forma pacífica como decorreram as primeiras operações, associações de ajuda aos refugiados receiam “tensões” nos próximos dias, designadamente durante a demolição das tendas e barracas porque, informam, há muitos que recusam sair de Calais e terão certamente de ser retirados à força. Algumas consideram mesmo que alguns dos “voluntários” que partiram esta segunda-feira regressarão à zona mais tarde ou mais cedo, porque continuam a querer viajar de qualquer forma, legal ou clandestina, para Inglaterra.

“Há pessoas do Koweit, da Síria, do Afeganistão ou do Sudão, que não querem sair da ‘selva’ e, entre os que já partiram, sabemos que há muitos que vão voltar a Calais; vamos voltar a vê-los a dormir debaixo de pontes ou escondidos nos bosques”, afirma Mariam Guerey, militante da associação caritativa “Secours Catholique”.

O início do desmantelamento de uma parte do acampamento está previsto para esta terça-feira, sob a vigilância de 1250 polícias e “gendarmes”.

Entretanto, algumas localidades, do norte ao sul da França, que já estão a receber ou que vão acolher migrantes nos próximos dias, protestam e alguns habitantes pedem para ser consultados sobre o assunto, por exemplo através de referendos.

Nacionalistas da Frente Nacional, de Marine le Pen, desaprovam a redistribuição dos migrantes e pedem a sua expulsão do país. Pelo seu lado, dirigentes da direita francesa chegam a falar em “brutalidade” do Governo contra os presidentes das câmaras que não desejam ver centros de acolhimento nos seus municípios. Laurent Wauquiez, dirigente do partido “Os Republicanos” (direita) e presidente da região Auvergne-Rhône-Alpes, no sudeste do país, considera o plano do Governo como “arbitrário”. Wauquiez recusa receber os 1784 migrantes previstos para a sua região.

Associações humanitárias desta zona de França, bem como de outras, mobilizaram-se para contestar a posição dos dirigentes locais. Em Calais, verifica-se a mesma situação de tensão porque associações prometem opor-se ao eventual recurso à força para expulsar da “selva” os estrangeiros que não desejam ser transferidos para outras regiões francesas.