Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Aviões radar da NATO entram na guerra ao Daesh

getty images

É a grande novidade avançada pela Aliança a 24 horas da cimeira de ministros da Defesa que se reúnem esta quarta e quinta-feira, em Bruxelas. E Portugal contribui atualmente com sete militares para a esquadra dos AWACS, os aviões radar da NATO

Carlos Abreu

Jornalista

Talvez nunca tenha ouvido falar deles mas estes Boeings 707 de radar às costas estão desde quinta-feira da semana passada a vigiar os céus da Síria e do Iraque, a partir do espaço aéreo da Turquia. São o mais recente contributo da NATO para a coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, que combate o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

O anúncio da entrada dos AWACS (Airborne Warning and Control System Aircraft, ou numa tradução livre, sistema de alerta e controlo aéreo), foi a grande novidade avançada esta manhã em Bruxelas pelo secretário-geral da Aliança, durante uma conferência de imprensa, a 24 horas do primeiro encontro dos ministros da Defesa dos 28, pós-Varsóvia, onde decorreu a anterior cimeira da NATO.

Na cimeira de julho passado, os aliados decidiram que, face à ameaça do Daesh, a Aliança iria reforçar a sua contribuição para a coligação internacional constituída por 67 países (Portugal incluído) “enviando os AWACS da NATO para aumentar a informação disponível”. E tal como se previa na altura, os voos começaram mesmo no outono.

E quando anunciou às dezenas de jornalistas presentes na conferência de imprensa, o arranque das operações da única frota detida pela NATO (não pertence a nenhum Estado-membro), o norueguês de 57 anos que há dois lidera a Aliança estava visivelmente satisfeito por ter cumprido o prometido. “Os AWACS estão a manter o espaço aéreo mais seguro”, assegurou Jens Stoltenberg. E nada mais disse na breve introdução ao encontro dos ministros das Defesa, onde Portugal estará representado, quarta e quinta-feira por Azeredo Lopes.

Mas perante a insistência dos jornalistas, acrescentou que iriam ser realizados “vários voos”, que o “número de missões iria aumentando progressivamente” e que tinham como principal objetivo “dar à coligação uma imagem aérea da situação no terreno”. Mas, afinal, que aviões são estes?

Estava o mundo mergulhado numa Guerra Fria, quando no início dos anos 70 do século passado diversos estudos realizados pela NATO concluíram pela necessidade de passar a dispor de um sistema de alerta e controlo aéreo. Mas só em janeiro de 1980 é que começou a tornar-se uma realidade, quando fixou quartel-general numa base da Força Aérea alemã em Geilenkirchen.

É partir daqui que, ainda hoje, a maior parte dos 16 aparelhos que compõem a frota de AWACS da Aliança operam. Daqui e de mais quatro bases localizadas na Grécia (Aktion), Itália (Trapani), Noruega (Ørland) e Turquia (Konya).

O enorme radar exterior confere a estas aeronaves uma imagem de marca única. Com ele é possível “detetar outros aviões e navios a grande distância”,

informa a NATO na documentação distribuída aos jornalistas. Para ser um pouco mais preciso: voando a dez mil metros de altitude um AWAC consegue ver o que se passa numa área de 312 mil quilómetros quadrados, mais de três vezes e meia a dimensão de Portugal continental (cerca de 88.500 quilómetros quadrados). Revela ainda a NATO que estas aeronaves podem dar suporte a operações de “comando e controlo, gestão do teatro de operações e comunicações”.

No caso das missões que arrancaram a 20 de outubro a partir da Alemanha e da Turquia, informa ainda a NATO que os seus aparelhos “não coordenarão os ataques aéreos da coligação nem assumirão funções de comando e controlo de aviões de combate”. E acrescenta: “Os AWACS apenas sobrevoarão espaço aéreo internacional ou da Turquia”. E como podem detetar aviões a centenas de quilómetros conseguem “vigiar o espaço aéreo iraquiano e da Síria desde a Turquia”.

Para este esforço coletivo contribuem atualmente 16 estados-membros (dos 28). E Portugal não passa ao lado participando com sete militares.