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Senadora apela à comunidade internacional para travar mortandade nas Filipinas

Agindo de forma solitária, Leila de Lima tem sido a maior denunciadora e opositora à atuação do Presidente Rogrigo Duterte

GETTY

Mais de 3800 pessoas foram mortas no país desde junho, em sequência da guerra às drogas promovida por Rodrigo Duterte. A senadora Leila de Lima apela a sanções contra o Presidente e que este seja investigado por crimes contra a Humanidade.

A senadora filipina Leila de Lima apela ao líderes mundiais para que lancem sanções contra o seu país e para que o Tribunal Criminal Internacional (TCI) investigue o Presidente Rodrigo Duterte, e todos aqueles que trabalham com ele, de modo a travar a sua “perversa” guerra às drogas, que já causou mais de 3800 mortos desde junho.

O TIC “devia começar a pensar em investigar já ou em lançar um inquérito sobre as mortes, enquanto crimes contra a Humanidade”, afirma a senadora, proeminente defensora dos Direitos Humanos e antiga ministra da Justiça, em declarações ao “The Guardian”.

Cerca de 1500 pessoas morreram em operações policiais, mas a maioria dos mortos foi eliminada por assassinos não identificados.

Após ter assumido funções há quatro meses, Duterte lançou uma cruzada contra as drogas, declarando que “ficaria feliz em abater” três milhões de consumidores e traficantes de droga, incitando publicamente os cidadãos do país para que “avancem e matem-nos”.

O Presidente filipino Rodrigo Duterte

O Presidente filipino Rodrigo Duterte

LEAN DAVAL JR. / Reuters

Lima indicou ainda ao jornal britânico que teme pela sua vida devido às denúncias que tem efetuado. No mês passado, foi destituída da presidência do Comité para a Justiça e Direitos Humanos que tem investigado os esquadrões da morte responsáveis pela morte consumidores e traficantes de droga. A sua morada e número de telemóvel foram divulgados publicamente como forma de intimidação.

“Durante algumas semanas após isso acontecer eu não pude ir para casa, tive de dormir noutros sitios, apesar de vez quando conseguir passar discretamente por casa, de um modo que me fazia sentir como um ladrão a entrar durante a noite na minha própria casa”, relatou. “O pior é que desde que divulgaram o meu número de telemóvel eu recebi imensas, quase duas mil, mensagens de ódio e ameaças de morte”, acrescenta.

Agindo de forma solitária, Lima tem sido a maior denunciadora e opositora à atuação de Duterte. Em agosto, lançou audições para investigar os assassínios levados a cabo por gangues de vigilantes, E no mês seguinte ouviu o testemunho de um suposto assassino contratado, Egdar Matobato, que afirmou que no passado Duterte, enquanto autarca da cidade de Davao, matou um responsável do Departamento de Justiça e ordenou a eliminação de opositores políticos.

O Presidente já negou veemente ter efetuado esses crimes. Posteriores investigações mostraram aparentes inconsistências no testemunho de Matobato.

Para além das ameaças, a senadora tem sido alvo de uma campanha de difamação de carácter sexual. “Leila de Lima não está apenas a fornicar o seu motorista, está também a fornicar toda a nação”, afirmou o Presidente Duterte em setembro.