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Expresso

Internacional

Apoiantes de Hugo Chávez invadem Parlamento da Venezuela

JUAN BARRETO

Oposição a Nicolás Maduro pede apoio da comunidade internacional após uma sessão especial parlamentar no domingo, marcada pela ausência do Presidente, na qual os partidos da oposição votaram a favor da abertura de um caso judicial contra este por alegada “violação da lei constitucional”

Um grupo de apoiantes do falecido líder da Venezuela Hugo Chávez interrompeu este domingo uma sessão especial do Parlamento, na qual os congressistas da oposição debateram a possibilidade de julgar Nicolás Maduro, o sucessor de Chávez no poder, por alegada "violação da lei constitucional" e "tentativa de golpe de Estado".

A sessão aconteceu dias depois de o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela ter bloqueado um referendo à presidência de Maduro. A partir da Arábia Saudita, onde estava este domingo a participar num encontro de membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, para discutir respostas à queda dos preços do petróleo a nível mundial, o Presidente venezuelano diss,e numa mensagem de vídeo, que "a revolução vai continuar a sair vitoriosa apesar das pretensões da direita de tomar o poder de forma inconstitucional".

O partido no poder e os seus apoiantes acusam a oposição de fraude durante a recolha de assinaturas necessárias para garantir a consulta popular, tida como um importante teste à governação de Maduro.

Durante a turbulenta sessão parlamentar, interrompida por dezenas de chavistas numa altura de crescente tensão social, o líder da oposição, Julio Borges, acusou Maduro de violar a lei por impedir que o referendo tenha lugar, exigindo um "julgamento político e legal do Presidente para apurar que responsabilidade tem na rutura constitucional que suspendeu a democracia, os Direitos Humanos e o futuro do nosso país".

Observadores independentes citados pela BBC dizem que é improvável que as medidas debatidas este domingo pela oposição ganhem tração, apesar de os partidos da oposição deterem a maioria no Congresso, por causa do alinhamento entre o Governo e o Supremo Tribunal do país.

Para além das acusações de fraude, os membros da oposição são acusados pelo partido no poder de ligações a forças estrangeiras e ao sector empresarial que, dizem os apoiantes de Maduro, está a tentar destronar o governo de esquerda.

Na mesma sessão parlamentar deste domingo, os deputados aprovaram nove resoluções, entre elas uma para pedir à comunidade internacional apoio direto contra o executivo de Maduro e para levar a julgamento, no Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, os membros do Conselho Nacional Eleitoral e dos juízes que impediram o referendo, avança o "El País".

Com a escalada de tensões e a profunda divisão da sociedade, a oposição venezuelana convocou para a próxima quarta-feira protestos em todo o país para, nas suas palavras, "retomarem a Venezuela passo a passo".

O país continua a sofrer as consequências da queda dos preços do petróleo nos mercados mundiais, estando mergulhado numa profunda crise económica que tem levado à escassez de bens de primeira necessidade e medicamentos. Correspondentes no terreno citados pelo canal britânico dizem que a maioria dos venezuelanos teme que o bloqueio ao referendo venha aumentar a tensão política e a instabilidade social.