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Jornalista húngara que deu pontapés a refugiados sírios ganha prémio

Getty Images

Petra Laszlo foi galardoada pelo seu trabalho num documentário acerca da revolução húngara de 1956 contra o domínio russo, um conflito que terá provocado 200 mil refugiados

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

A jornalista e operadora de câmara húngara Petra Lázsló, que em setembro de 2015 ficou conhecida por pontapear refugiados sírios que tentavam fugir à polícia para entrar na Hungria, ganhou um prémio de 500 mil florins (cerca de 1600 euros) pelo seu trabalho num documentário sobre a revolução húngara de 1956 contra os russos.

Segundo noticia o "Financial Times" (FT), o filme de 32 minutos, intitulado "National Strangers", foi realizado pelo marido de Petra, Gabor Lázsló, e refere-se a um conflito que, na altura, terá provocado 200 mil refugiados húngaros que tiveram de se instalar noutros países ocidentais.

O prémio atribuído a Petra surge cerca de um ano depois do episódio que não só a tornou famosa por más razões, como lhe custou o emprego e ainda lhe trouxe uma acusação de vandalismo que lhe pode dar até cinco anos de prisão.

Já um dos refugiados sírios que foi pontepeado por Petra, e que até levava uma criança ao colo, acabou por ter sorte e arranjar um emprego em Espanha como treinador, mas o FT noticia que já foi despedido porque estava com dificuldades em aprender espanhol.

A Hungria é um dos países que está contra a entrada dos refugiados sírios e, a esse respeito, até organizou um referendo para que o país não tivesse de aceitar as quotas impostas pela União Europeia. O resultado desse referendo foi, precisamente, contra a imposição dessas quotas, mas não foi considerado válido porque não reuniu os número de eleitores necessários. Mesmo assim, o primeiro-ministro disse logo que, válido ou não, a Hungria não iria receber os refugiados que a União Europeia queria que eles recebessem.

Na semana passada, um porta-voz do governo, Zoltan Kovács, publicou num blogue que os refugiados húngaros de 1956 não têm nada que ver com os migrantes de hoje e que as motivações são diferentes. “A cultura destes migrantes não têm definitivamente nada que ver com a nossa cultura judaico-cristã. Podemos ignorar o elefante na sala e fingir que a sua assimilação na Europa não é um problema", escreveu Zoltan Kovács, citado pelo FT.