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Reino Unido perdoa 77 mil pessoas condenadas por homo e bissexualidade

Getty

A maior parte dos perdões ocorre já a título póstumo. Há quem defenda que não é suficiente, que o que devia ter lugar era um pedido de desculpas

Uma nova lei britânica irá perdoar todas cerca de 77 mil pessoas condenadas por homo e bissexualidade, na maior parte será a título póstumo, pois apenas 16 mil ainda se encontram vivos.

A lei dos crimes sexuais que criminalizava as relações não heterossexuais vigorou até 1967 em Inglaterra e País de Gales, até 1980 na Escócia e até 1982 na Irlanda do Norte.

Até agora, quem quisesse que a condenação fosse eliminada do seu registo criminal tinha de o solicitar, mas a nova “Lei Alan Turing” cria um perdão automático para todos os casos.

O nome da legislação alude ao famoso matemático e criptografo que descodificou as mensagens nazis durante a Segunda Guerra Mundial e que foi perdoado a título póstumo em 2013, 61 anos depois de ter sido indiciado numa esquadra de Manchester por atividade homossexual.

“É tremendamente importante que nós perdoemos pessoas condenadas por crimes sexuais históricos que seriam inocentes de qualquer crime atualmente”, afirmou o ministro da Justiça Sam Gyimah.

Entre os visados há quem encare, contudo, o perdão como insuficiente, defendendo que deveria era ter lugar um pedido de desculpas. “Aceitar o perdão significa que você aceite que era culpado. Eu não fui culpado de nada. Eu só fui culpado de estar no sítio errado à hora errada”, afirmou a um programa da BBC George Montague, condenado em 1974 por atos de indecência com outro homem.