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Poucas novidades nos primeiros 100 dias de Theresa May em Downing Street

Leon Neal / Getty Images

Primeira-ministra britânica ainda não revelou como vai levar a cabo as propostas de ver trabalhadores representados nas administrações das empresas, de forçar as multinacionais a pagar mais impostos e de construir mais casas para habitação

Os 100 dias de Theresa May enquanto primeira-ministra foram marcados por poucas novidades sobre o seu programa político, apesar da promessa de dar ao país a "mudança" pedida pelos eleitores.

No seu discurso de fecho do congresso anual do partido Conservador, há duas semanas atrás, May prometeu conduzir o país para um "novo espaço do centro da política britânica, construído sobre os valores da justiça e da oportunidade".

Uma das poucas políticas que anunciou desde a entrada em funções, e que causou imediatamente controvérsia, foi o desejo de abrir novas escolas secundárias públicas seletivas, conhecidas por "grammar schools".

Populares nos anos 1950, entraram em declínio na década seguinte e desde 1998 que foi proibida a abertura de novas destas escolas públicas, tendo os conservadores de David Cameron promovido antes "escolas livres", dirigidas por entidades independentes.

Os críticos dizem que as escolas seletivas representam "desigualdade e desvantagem" para os mais pobres, pois o acesso depende, na maioria dos casos, da preparação para o exame de entrada por tutores privados, o que deixa de fora crianças de meios desfavorecidos.

Atualmente, sobrevivem apenas 163 destas escolas em todo o país e durante mais de 20 anos nenhum governo mexeu neste tema.

Porém, Theresa May entende que as escolas selectivas, como aquela que ela própria frequentou, oferecem ensino público de qualidade superior e proporcionam "melhores oportunidades às pessoas normais da classe trabalhadora."

Esta ideia faz parte do conceito de justiça social que invocou à porta do número 10 de Downing Street, no dia em que foi nomeada, quando prometeu um "governo para todos e não apenas para os poucos privilegiados"

May entende que, mais do que o voto racista ou nacionalista, o voto Brexit foi um grito contra a política e a economia elitista e que, por isso, o país está num "ponto de viragem".

Contudo, ainda não revelou como vai levar a cabo as propostas de ver trabalhadores representados nas administrações das empresas, de forçar as multinacionais a pagar mais impostos e de construir mais casas para habitação.

Uma prometida "nova estratégia industrial" para o país resume-se, por enquanto, à autorização para o início da extração de gás de xisto e à luz verde para a construção de uma central nuclear, a primeira em mais de 30 anos.