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Numa das cidades britânicas mais eurocéticas, a ordem é para Theresa May parar a imigração

Dan Kitwood / Getty Images

“Eu não tenho nada contra os imigrantes, mas as escolas e os hospitais não aguentam com a pressão de tanta gente”, refere um habitante de Romford, cidade situada a este de Londres e onde 70% dos eleitores votaram no referendo a favor da saída do Reino Unido da Un ião Europeia

Mick, talhante em Romford, descrita frequentemente como "uma das cidades mais eurocéticas do Reino Unido", só tem uma expectativa relativamente à primeira-ministra Theresa May: que materialize o Brexit e pare a imigração. "Espero que ela faça frente à Europa, que todos os dias nos ameaça com castigos", afirmou o talhante à agência Lusa, numa manhã sem clientes, na semana em que a sucessora de David Cameron completa 100 dias em funções.

Situada a este de Londres, no município de Havering, nesta cidade 70% dos eleitores votaram a favor da saída do Reino Unido da União Europeia no referendo de 23 de junho. Apesar de ser um subúrbio, não faz propriamente parte do pequeno meio rural a cuja responsabilidade pelo Brexit é frequentemente atribuída. Possui uma população de quase 240 mil habitantes, cuja esmagadora maioria (76%) participou no referendo para sair da União Europeia (UE).

"A principal razão foi a imigração. Eu não tenho nada contra os imigrantes, mas as escolas e os hospitais não aguentam com a pressão de tanta gente", justifica o proprietário do talho F L Tayler. Do futuro não espera facilidades, até porque a libra continua a desvalorizar e a inflação já subiu em setembro de 0,6% para 1%.

"Eu vivi numa altura em que a inflação era 10% e as taxas de juro 14%. As pessoas passam muito tempo a criticar, mas o que é preciso é trabalhar", vinca.

Para rematar, antes de voltar ao trabalho nas traseiras do estabelecimento, volta a mostrar expectativas elevadas relativamente a Theresa May: "Espero que ela seja tão forte como foi Margaret Thatcher", disse à Lusa.

Mick falou mas não quis dar o apelido, enquanto outros habitantes abordados recusaram comentar política ou o desempenho da segunda primeira-ministra da história britânica.

Porém, duas últimas sondagens dão sinais de que muitos britânicos confiam em May, que tem taxas de aprovação superiores a 40% e uma larga vantagem relativamente ao líder Trabalhista Jeremy Corbyn. As qualidades que lhe apontam são de ser uma líder forte e competente, mas as negociações do Brexit vão determinar a sua popularidade no futuro.

Uma sondagem publicada este domingo pelo jornal "Independent" indica que 39% concordam com Mick e elegem o corte da imigração como prioridade, mas 49% consideram que em primeiro lugar está garantir o acesso ao mercado único europeu. Mesmo que isso implique manter a liberdade de circulação de pessoas.