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Internacional

Incerteza sobre formato do Brexit afeta economia britânica

A sucessora de David Cameron tem afirmado que “Brexit significa Brexit”, mas as negociações com Bruxelas estão longe de estar concluídas e já de adivinha um “hard Brexit”

MARK SCHIEFELBEIN / AFP / Getty Images

Os três meses de Theresa May à frente do governo britânico têm sido dominados com questões sobre quando e como vai ela implementar o Brexit, uma incerteza que continua a causar danos na economia.

A sucessora de David Cameron afirmou desde o início que "Brexit significa Brexit" e que pretende levar avante a vontade dos 52% dos eleitores que determinaram no referendo de 23 de junho a saída britânica da União Europeia (EU).

Após 10 semanas de indecisão, no ínicio de outubro, no congresso anual do partido Conservador, revelou que o artigo 50 do Tratado de Lisboa que aciona a separação será ativado "até ao final de março de 2017".

Contudo, May afirmou que "ainda é demasiado cedo" para dizer que acordo será alcançado e admitiu que "será uma negociação dura, será necessário algum dar e receber".

Do acordo, indicou que pretende cooperação em matéria policial e de combate ao terrorismo e quer livre comércio de bens e serviços, mas não planeia nem ceder o controlo sobre a imigração nem aceitar a autoridade do Tribunal Europeu de Justiça.

Esta ambiguidade levou a maioria dos analistas políticos e económicos e até Bruxelas a assumir que o governo se prepara para um "hard Brexit", pois Londres dificilmente garantirá o acesso ao mercado único europeu se não ceder na liberdade de circulação de pessoas.

O resultado mais visível foi uma nova desvalorização da libra relativamente ao dólar e ao euro e nova especulação sobre a potencial deslocalização de algumas instituições financeiras para outros países europeus.

Mas o impacto começa a sentir-se noutras áreas: só esta semana, a companhia aérea Ryanair e a empresa de construção Travis Perkins reviram os lucros em baixa devido às consequências do Brexit, tendo a segunda anunciado uma restruturação que pode poderá reduzir 600 postos de trabalho.

As consequências negativas para a economia britânica da saída do mercado único europeu têm sido objeto de vários relatórios e o próprio ministro das Finanças, Philip Hammond, terá enfrentado colegas devido às repercussões dos limites à imigração.

Forçada a neutralizar as tensões, Theresa May, através de uma porta-voz, rejeitou a possibilidade de demissão do ministro.

Mais, uma vez, sem dar conta do que pretende fazer, reiterou apenas que todo o governo está consciente da "importância" de preparar as negociações para concretizar a saída do Reino Unido da UE.