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“Estão a tentar matar a verdade”: a carta que uma escritora turca escreveu a partir da prisão

Asli Erdogan está presa em Istambul, desde agosto, acusada de pertencer a uma organização terrorista e de conspirar “contra a unidade nacional”. A carta que dirigiu “aos colegas escritores” foi lida na abertura da Feira do Livro de Frankfurt

Foi lida em voz alta na abertura da Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, esta terça-feira, uma carta que a escritora turca Asli Erdogan escreveu a partir da prisão.

Detida desde agosto, acusada de pertencer a uma organização terrorista e de conspirar “contra a unidade nacional”, contra si foi usado um artigo que publicou no diário “Özgür Gündem”, jornal entretanto forçado a encerrar. Outros 140 meios de comunicação tiveram o mesmo destino, após a tentativa de golpe de Estado na Turquia.

Dirigindo-se aos “colegas escritores”, a escritora diz estar numa prisão em Istambul, “uma prisão feminina entre uma clínica psiquiátrica e um antigo hospital de leprosos”.

“Falo-vos por trás pedras, cimento e arame farpado, como se a partir do fundo de um poço”, escreve. Para acrescentar: “No meu país, a consciência está a ser deixada apodrecer com uma brutalidade inimaginável. Estão a tentar matar a verdade - tornou-se um hábito, como se fossem cegos”. Mas as palavras finais são de esperança, ao lembrar que “a literatura sempre conseguiu derrotar os ditadores”.

Aslı Erdogan despede-se com um “caloroso abraço”, transmitido pelo presidente da Associação Alemã de Livreiros, Heinrich Riethmüller, que após ler a carta criticou a classe política europeia pelo seu silêncio em relação às violações dos direitos humanos em Ancara, para não colocar em risco o acordo entre a União Europeia e a Turquia sobre a crise dos refugiados.