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Internacional

Trégua no Iémen, mas só durante 72 horas

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O bombardeamento a um velório, em Sana, aumentou a contestação à intervenção militar saudita

© Khaled Abdullah / Reuters

Huthis e forças leais ao Presidente deposto aceitaram um cessar-fogo de 72 horas para permitir o fornecimento de alimentos e assistência médica a populações isoladas

Margarida Mota

Jornalista

Entra em vigor esta quarta-feira à noite, no Iémen, um cessar-fogo de 72 horas, anunciou o enviado especial da ONU para o Iémen, Ismail Ould Cheikh Ahmed. A trégua — que terá início às 23h59 locais (21h59 em Portugal continental) — foi aceite pelas autoridades huthis, que tomaram o poder em setembro de 2014, e pelo Presidente deposto Abd-Rabbu Mansour Hadi, visando o fornecimento de alimentos e assistência médica a áreas isoladas desde há meses.

“Temos esperança que esta cessação [das hostilidades] em todo o território crie a oportunidade para as agências e organizações humanitárias trabalharem em áreas que têm estado isoladas ou são de difícil acesso em todo o Iémen”, afirmou Jamie McGoldrick, coordenador humanitário da ONU, à agência Reuters.

O poder que controla a capital e a parte norte do país — composto pelos huthis (apoiados pelo Irão) e por aliados locais (como o ex-Presidente iemenita Abdullah Saleh, afastado do poder no contexto da Primavera Árabe) — declarou que o país necessita de uma trégua imediata e incondicional e exigiu o fim dos ataques levados a cabo pela coligação árabe liderada pela Arábia Saudita e o levantamento do bloqueio ao país, por terra, mar e ar.

Esta intervenção militar, em defesa do Presidente deposto Abd-Rabbu Mansour Hadi, está em curso desde desde março de 2015, sem resultados visíveis no terreno. As críticas à operação intensificaram-se recentemente, após um bombardeamento a um salão comunitário onde decorria um velório, na capital iemenita (Sana), no passado dia 8, que provocou 140 mortos e feriu mais de 500 pessoas. A Arábia Saudita assumiu a culpa justificando o ataque com “informação incorreta”.

No sangrento conflito no Iémen — que já levou a Cruz Vermelha Internacional a doar morgues a hospitais iemenitas —, nenhuma das partes é poupada às acusações. Num relatório divulgado pela organização humanitária Coligação Iemenita para a Monitorização das Violações dos Direitos Humanos, na segunda-feira, estão documentados 9949 casos de detenção arbitrária por parte dos huthis e de milícias aliadas, entre 21 de dezembro de 2014 e 30 de abril deste ano, incluindo 12 mulheres e... 204 crianças.