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O grande espetáculo americano, parte 3

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TIMOTHY A. CLARY/GETTY

A pressão está do lado de Trump, em queda nas sondagens e cada vez mais longe de poder sonhar com a Casa Branca. Mas no debate que esta noite junta o republicano e a candidata democrata - pela última vez antes de os norte-americanos irem a votos - também há perguntas difíceis para Hillary Clinton

É o tudo por tudo nas presidenciais norte-americanas, com o país a assistir esta noite (02h em Portugal Continental) ao último dos três debates televisivos entre Donald Trump e Hillary Clinton. A pressão é maior para Trump, coincidem os analistas, já que o frente-a-frente é encarado como a derradeira hipótese de o republicano conseguir o apoio suficiente para continuar a sonhar com o lugar na Casa Branca. Há quem diga que a meta está à distância de “um milagre”.

Confirmam-no as sondagens mais recentes, cujos resultados apontam para uma liderança confortável de Hillary Clinton. As consultas da “NBC News” e do “Wall Street Journal” revelam uma diferença de 11% a favor da candidata democrata (48% contra 37% de Trump) e mesmo a sondagem “ABC/Washington Post”, exibindo um intervalo menor, coloca a ex-secretária de Estado na frente da corrida, com um resultado de 47% para 43%.

A campanha entra na reta final envolta em polémica, pelo que o palco da Universidade de Las Vegas, onde os candidatos se preparam para enfrentar o último ‘round’, não deve escapar aos (já habituais) momentos de tensão.

Donald Trump não é homem de meias-palavras, já se sabe. Ainda assim, será interrogado pela primeira vez perante uma audiência nacional sobre as acusações recentes feitas por várias mulheres, que dizem ter sido vítimas de ‘avanços’ indesejados e agressões sexuais por parte do republicano. Também a insistência do candidato ao longo da semana, em considerar que as eleições estão a ser manipuladas, sem apresentar provas, pode voltar-se contra o republicano e fazê-lo perder (mais) pontos.

Hillary Clinton, por seu turno, chega a Las Vegas com um fardo complicado para aliviar. A divulgação pelo portal WikiLeaks de milhares de documentos retirados do correio eletrónico do seu diretor de campanha, John Podesta, não a favoreceu, sobretudo por entre os vários documentos divulgados estarem três discursos remunerados que a candidata democrata fez para o banco de investimento Goldman Sachs, o que mostrou os laços entre Hillary e as principais figuras de Wall Street.

No debate de 90 minutos, moderado pelo jornalista Chris Wallace, da Fox News, o que há de mais previsível é contar com o comportamento sempre imprevisível de Trump. São seis os temas definidos - imigração, Supremo Tribunal, benefícios sociais e dívida nacional, economia, política externa e as aptidões de cada candidato para o cargo - mas com Trump... nunca se sabe.

Esta terça-feira, o próprio Presidente Obama fez um apelo: “Convido Trump a deixar de choramingar e tentar defender o seu programa para conseguir votos”.

Fiéis ao seu próprio estilo, Trump parece continuar a apostar no dom da improvisação, enquanto Hillary voltou a reduzir as ações de campanha esta semana, para se fechar no gabinete de trabalho preparando o debate, algo que o candidato republicano usou, para mais uma vez lançar suspeitas sobre o estado de saúde da democrata. “É uma mentira que está a usar para poder ir dormir”, troçou Donald Trump.

Habituada às provocações do multimilionário, a equipa da campanha de Clinton não se mostra preocupada e confia na sua candidata para o enfrentar “e defender os valores americanos, reafirmando-os”, como afirmou Jennifer Palmieri, porta-voz do gabinete eleitoral da candidata democrata.