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Mulheres argentinas em greve devido a violação e assassínio de adolescente

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“No escritório, na escola, no hospital, no tribunal, na redação, na loja, na fábrica, onde quer que se encontre a trabalhar pare durante uma hora e exija ‘o fim da violência machista’”, é o repto lançado para esta “Quarta-feira Negra” na Argentina

Uma greve de uma hora prevista para a partir do meio-dia (16h em Lisboa) e uma marcha de protesto com início marcado para as 17h (21h em Lisboa) em Buenos Aires são as iniciativas promovidas por cerca de 50 grupos de ativistas para uma “Quarta-feira Negra”, em sequência da brutal violação e assassínio de Lucia Perez, de 16 anos.

A adolescente faleceu a 8 de outubro, na cidade de Mar del Plata, pouco depois de ter sido deixada num hospital por dois homens que indicaram que havia sofrido uma overdose de drogas. Antes de ser deixada havia sido lavada e vestida com roupas limpas, mas os médicos depressa perceberam que fora alvo de violência sexual extrema.

Um objeto fora colocado no seu ânus, provocando-lhe uma dor tão aguda que entrou em paragem cardíaca. Entretanto, apurou-se que fora raptada de junto da sua escola, drogada com marijuana e cocaína e violada por um gangue.Três homens foram entretanto detidos.

“No escritório, na escola, no hospital, no tribunal, na redação, na loja, na fábrica, onde quer que se encontre a trabalhar pare durante uma hora e exija ‘o fim da violência machista’”, é o repto lançado pelos grupos de ativistas.

“Eu já vi milhares de coisas ao longo da minha carreira, mas nada igual a estes atos abomináveis”, declarou aos jornalista a procuradora Maria Isabel Sanchez.

“Nós não conseguimos compreender esta barbárie. É impossível de compreender”, declarou Marta, a mãe da adolescente falecida.

Na semana passada, o ministro da Justiça encontrou-se os pais da vítima, declarando-lhes que o Governo está a trabalhar para assegurar que os jovens “não acabem como vítimas destes atos trágicos”.

Em 2015 ocorreram 235 “femicidios”, termo inscrito na Constituição argentina para descrever mortes por discriminação de género na Argentina. Em 2012, o país adotou legislação mais severa para combater este tipo de crime.