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Michael Moore diz que Trump pode estar a sabotar tudo porque não quer ser Presidente

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Getty

Donald Trump nunca pensou em chegar à fase final da campanha e muito menos em ser Presidente, assegura o documentarista. Moore diz que o objetivo do candidato quando avançou para as primárias era apenas promover-se mediaticamente para ser mais bem pago no programa televisivo “The Apprentice”

Em plena contagem decrescente para as eleições presidenciais nos Estados Unidos, o documentarista apresentou o filme “Michael Moore in TrumpLand” – onde apela veemente aos americanos para que votem em Hillary Clinton – e no seu blogue deixou um texto onde assegura que Donald Trump está a fazer tudo para sabotar a sua própria campanha. Moore diz que o candidato republicano apenas avançou para as primárias para se promover mediaticamente, nunca tendo lhe passado pela cabeça que poderia tornar-se o favorito do partido.

“Na verdade, Donald Trump nunca quis ser Presidente dos Estados Unidos. Eu sei isso como um facto”, escreve Moore, acrescentando que, apesar de não revelar como o soube, ao lerem o seu texto “certas pessoas” vão saber que aquilo é literalmente o que aconteceu.

“Trump estava infeliz com o seu acordo como anfitrião e estrela do seu progrma de sucesso na NBC “The Apprentice” (e “The Celebrity Apprentice”). Dizendo-o de uma forma muito simples, ele queria mais dinheiro. Ele tinha lançado antes a ideia de, possivelmente, se candidatar à presidência na esperança de que o destaque que tal lhe daria lhe garantisse mais peso negocial”.

O facto de o multimilionário ter avançado sem qualquer estrutura de suporte ou estratégia definida é apresentado como uma evidência de que a ideia não seria, sequer, concretizar a candidatura: “A 16 de junho do ano passado, ele desceu as suas escadas rolantes douradas e abriu a boca. Sem equipa de campanha, sem estrutura de campanha para os 50 estados – nada disso precisava porque, lembrem-se, isto não era para ser uma campanha real – e sem um discurso preparado, ele saiu do trilho e chutou uma conferência de imprensa, chamando os mexicanos de ‘violadores’ e ‘narcotraficantes’ e defendendo a construção de um muro para os manter de fora”.

O problema, defende ainda no texto, é que o tiro lhe saiu pela culatra, pois essas polémicas declarações levaram a NBC a rescindir o seu contrato, o que o levou então a prosseguir com a campanha para as primárias de modo a mostrar a outras estações televisivas a sua popularidade junto de milhões de americanos. Isto pensando, insiste o documentarista, que Trump “seguramente não se iria tornar o nomeado republicano, e que NUNCA mas NUNCA viria a ser o Presidente dos Estados Unidos”, pois o cargo implica “TRABALHO” e “ABORRECIMENTO” e viver num “GUETO em Washington, DC”.

O inesperado sucesso terá contudo subido à cabeça de Trump, levando-o a “voltar a apaixonar-se por si próprio, e depressa esqueceu a missão de arranjar um bom acordo para um programa televisivo”.

Os mais recentes acontecimentos [acusações de assédio sexual no passado, feitas por diversas mulheres], que fizeram descer a popularidade do candidato republicano, fizeram-no contudo regressar à ideia inicial. Mas já era demasiado tarde, defende Moore, que apresenta uma teoria alternativa: a de que os maus desempenhos de Trump nas últimas três semanas de campanha foram intencionais, sendo “tudo parte da sua nova estratégia para o livrar de uma corrida que ele, de qualquer forma, não tencionara levar até ao fim”.