Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Genro de Trump prepara lançamento da Trump TV para depois das eleições

  • 333

Jared Kushner, marido de Ivanka Trump, tem estado cada vez mais envolvido na campanha eleitoral do sogro

Brendan Hoffman

Notícia é avançada pelo “Financial Times”, que revela contactos recentes de Jared Kushner com o chefe executivo de um pequeno banco de investimento com experiência no ramo dos media

O genro de Donald Trump manteve encontros informais com um dos principais negociadores da indústria norte-americana de media para discutir a possibilidade de lançar um canal de televisão da marca Trump após as eleições presidenciais de 8 de novembro.

A notícia é avançada pelo "Financial Times", citando três pessoas familiarizadas com o processo, que dizem que Jared Kushner –marido de Ivanka Trump e uma figura cada vez mais influente na campanha do candidato republicano, seu sogro – contactou nos últimos dois meses Aryeh Bourkoff, fundador e CEO do LionTree, um pequeno banco de investimento com experiência na área dos media, para alegadamente debater a criação da Trump TV no rescaldo das eleições – nas quais, apontam sondagens e especialistas, é cada vez mais certa a derrota do empresário e a vitória da sua rival democrata Hillary Clinton.

As fontes citadas dizem que a conversa entre Kushner e Bourkoff foi curta e que nenhum progresso foi registado desde então. O "The Independent" avança que Kushner pode ter consultado outras pessoas sobre o mesmo assunto. Os dois homens citados recusaram-se a comentar as alegações quando contactados pelo "Financial Times", que explica que a abordagem do genro de Trump ao dono do LionTree sugere que o candidato republicano e ex-estrela de reality shows quer capitalizar o movimento populista que, ao longo desta campanha, lhe tem angariado milhões de apoiantes e seguidores.

Nos últimos dias tem sido palpável o crescente nervosismo da campanha de Trump, que continua a desmentir todas as acusações de abuso sexual e assédio de mulheres e que tem reforçado a retórica de que existe uma cabala entre os "media liberais" e a campanha de Clinton para denegrir a sua imagem e lançar ataques "desonestos e distorcidos" contra a sua pessoa.

Esse nervosismo tem razões de ser: a menos de um mês da ida às urnas, marcada para 8 de novembro, sondagens recentes reforçam um avanço de Clinton sobre o republicano, com um inquérito de opinião em particular a apontar uma vantagem brutal de 11 pontos percentuais para a democrata sobre o adversário.

Trump, cuja campanha está a cargo do populista e empreendedor de media digital Stephen Bannon, já desmentiu os alegados planos para criar a sua própria estação de televisão. "Não tenho qualquer interesse [em criar] uma empresa de media, é um rumor falso", disse recentemente ao "Washington Post", depois de a revista "Vanity Fair" ter noticiado que estava a explorar essa ideia com os seus conselheiros.

Bourkoff, que fundou a LionTree em 2012, tem estado envolvido numa série de negociações recentes na área dos media, tendo sido conselheiro de transações que totalizam mais de 300 mil milhões de dólares, incluindo a aquisição da Virgin Media pela Liberty Global por 23,3 mil milhões de dólares e a aquisição da AOL pela Verizon pela soma de 4,4 mil milhões de dólares.

Para além de ser o coqueluche do magnata de media John C. Malone e de ter ajudado o chamado "cowboy da TV por cabo" a reforçar a sua presença na indústria da televisão paga, Bourkoff é amigo de Kushner, marido de Ivanka Trump e detentor do semanário "New York Observer", tendo sido seu conselheiro quando o genro de Trump tentou comprar a equipa de basebol LA Dodgers há quatro anos.

O FT sublinha que lançar um canal televisivo neste momento não é tarefa fácil, nem sequer para Trump mesmo com o elevado potencial de audiências: as empresas de TV por cabo e satélite estão cada vez mais relutantes em aceitar novos canais nas suas grelhas numa altura em que a televisão paga continua a perder adeptos para alternativas online mais baratas. Lançar um serviço digital em vez de uma estação de televisão, aponta o mesmo jornal, "seria uma possibilidade" mas uma que sairia cara ao magnata do imobiliário e a Kushner, que teriam de investir muito dinheiro em marketing e tecnologia.

Estes não são os primeiros rumores sobre a vontade de Trump em criar uma estação de televisão sob a sua chancela, com o "The Independent" a referir inclusivamente que alguns acreditam que a candidatura presidencial do empresário foi, acima de tudo, uma espécie de manobra de marketing inédita para preparar o lançamento do canal.

Esses rumores ganharam força em agosto quando Trump contratou Bannon, dono da Breitbart, uma rede de websites conservadores, para gerir a sua campanha após a demissão de Paul Manafort. Neste momento, a Breitbart está a tentar expandir-se globalmente, tendo planeado o lançamento de dois novos sites de notícias na Alemanha e em França a juntar às suas atuais operações nos Estados Unidos e em Israel.