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Internacional

Genro de Trump prepara lançamento da Trump TV para depois das eleições

Jared Kushner, marido de Ivanka Trump, tem estado cada vez mais envolvido na campanha eleitoral do sogro

Brendan Hoffman

Notícia é avançada pelo “Financial Times”, que revela contactos recentes de Jared Kushner com o chefe executivo de um pequeno banco de investimento com experiência no ramo dos media

O genro de Donald Trump manteve encontros informais com um dos principais negociadores da indústria norte-americana de media para discutir a possibilidade de lançar um canal de televisão da marca Trump após as eleições presidenciais de 8 de novembro.

A notícia é avançada pelo "Financial Times", citando três pessoas familiarizadas com o processo, que dizem que Jared Kushner –marido de Ivanka Trump e uma figura cada vez mais influente na campanha do candidato republicano, seu sogro – contactou nos últimos dois meses Aryeh Bourkoff, fundador e CEO do LionTree, um pequeno banco de investimento com experiência na área dos media, para alegadamente debater a criação da Trump TV no rescaldo das eleições – nas quais, apontam sondagens e especialistas, é cada vez mais certa a derrota do empresário e a vitória da sua rival democrata Hillary Clinton.

As fontes citadas dizem que a conversa entre Kushner e Bourkoff foi curta e que nenhum progresso foi registado desde então. O "The Independent" avança que Kushner pode ter consultado outras pessoas sobre o mesmo assunto. Os dois homens citados recusaram-se a comentar as alegações quando contactados pelo "Financial Times", que explica que a abordagem do genro de Trump ao dono do LionTree sugere que o candidato republicano e ex-estrela de reality shows quer capitalizar o movimento populista que, ao longo desta campanha, lhe tem angariado milhões de apoiantes e seguidores.

Nos últimos dias tem sido palpável o crescente nervosismo da campanha de Trump, que continua a desmentir todas as acusações de abuso sexual e assédio de mulheres e que tem reforçado a retórica de que existe uma cabala entre os "media liberais" e a campanha de Clinton para denegrir a sua imagem e lançar ataques "desonestos e distorcidos" contra a sua pessoa.

Esse nervosismo tem razões de ser: a menos de um mês da ida às urnas, marcada para 8 de novembro, sondagens recentes reforçam um avanço de Clinton sobre o republicano, com um inquérito de opinião em particular a apontar uma vantagem brutal de 11 pontos percentuais para a democrata sobre o adversário.

Trump, cuja campanha está a cargo do populista e empreendedor de media digital Stephen Bannon, já desmentiu os alegados planos para criar a sua própria estação de televisão. "Não tenho qualquer interesse [em criar] uma empresa de media, é um rumor falso", disse recentemente ao "Washington Post", depois de a revista "Vanity Fair" ter noticiado que estava a explorar essa ideia com os seus conselheiros.

Bourkoff, que fundou a LionTree em 2012, tem estado envolvido numa série de negociações recentes na área dos media, tendo sido conselheiro de transações que totalizam mais de 300 mil milhões de dólares, incluindo a aquisição da Virgin Media pela Liberty Global por 23,3 mil milhões de dólares e a aquisição da AOL pela Verizon pela soma de 4,4 mil milhões de dólares.

Para além de ser o coqueluche do magnata de media John C. Malone e de ter ajudado o chamado "cowboy da TV por cabo" a reforçar a sua presença na indústria da televisão paga, Bourkoff é amigo de Kushner, marido de Ivanka Trump e detentor do semanário "New York Observer", tendo sido seu conselheiro quando o genro de Trump tentou comprar a equipa de basebol LA Dodgers há quatro anos.

O FT sublinha que lançar um canal televisivo neste momento não é tarefa fácil, nem sequer para Trump mesmo com o elevado potencial de audiências: as empresas de TV por cabo e satélite estão cada vez mais relutantes em aceitar novos canais nas suas grelhas numa altura em que a televisão paga continua a perder adeptos para alternativas online mais baratas. Lançar um serviço digital em vez de uma estação de televisão, aponta o mesmo jornal, "seria uma possibilidade" mas uma que sairia cara ao magnata do imobiliário e a Kushner, que teriam de investir muito dinheiro em marketing e tecnologia.

Estes não são os primeiros rumores sobre a vontade de Trump em criar uma estação de televisão sob a sua chancela, com o "The Independent" a referir inclusivamente que alguns acreditam que a candidatura presidencial do empresário foi, acima de tudo, uma espécie de manobra de marketing inédita para preparar o lançamento do canal.

Esses rumores ganharam força em agosto quando Trump contratou Bannon, dono da Breitbart, uma rede de websites conservadores, para gerir a sua campanha após a demissão de Paul Manafort. Neste momento, a Breitbart está a tentar expandir-se globalmente, tendo planeado o lançamento de dois novos sites de notícias na Alemanha e em França a juntar às suas atuais operações nos Estados Unidos e em Israel.