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Batalha por Mossul: primeiro dia da ofensiva salda-se na reconquista de 20 aldeias dos subúrbios

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SAFIN HAMED

Forças iraquianas continuam a fazer aproximação ao último bastião do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) no país. Pentágono diz que operação está a desenvolver-se “mais rápido que o previsto” mas alerta que, ainda assim, deverá “levar algum tempo” até à derrota final dos jiadistas no Iraque

As forças iraquianas e curdas estão a aproximar-se do centro de Mossul, o último bastião do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) no Iraque, depois de terem conseguido reconquistar 20 aldeias dos arredores da segunda maior cidade do país nas primeiras 24 horas da operação militar de larga escala, que foi iniciada na madrugada de segunda-feira.

As tropas do Governo e os combatentes curdos (peshmerga) contam com o apoio aéreo da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos – cujo Departamento de Defesa disse esta segunda-feira que a ofensiva está a avançar "mais rápido que o previsto". Em declarações à imprensa, o porta-voz do Pentágono alertou que, apesar do sucesso do primeiro dia, "deverá levar algum tempo" até que a cidade esteja totalmente limpa de militantes do Daesh.

"Indicações preliminares dão conta de que as forças iraquianas alcançaram os seus objetivos até agora e que estão até avançadas em relação ao calendário previsto para o primeiro dia", declarou Peter Cook na noite desta segunda-feira. "Está tudo a decorrer de acordo com o plano iraquiano – mas repito, ainda é demasiado cedo e o inimigo também desempenha um papel aqui. Veremos se o Daesh se aguenta e dá luta. Ainda assim estamos confiantes de que os iraquianos têm as capacidades necessárias para concluir o serviço e estamos preparados para os apoiar, a par do resto da coligação."

Esta manhã, as forças iraquianas fizeram mais avanços no terreno, guiadas por uma coluna de fumo negro numa das posições do grupo jiadista perto do centro de Mossul, alegado resultado da ignição de fogueiras com petróleo pelos militantes extremistas para tentarem atrasar a incursão oficial e dificultarem os bombardeamentos aéreos.

Uma testemunha disse à Reuters que algumas das vilas no leste de Mossul foram atingidas por morteiros do Daesh esta madrugada, em mais uma tentativa de contrariar os avanços das forças curdas naquela área. Um carro armadilhado explodiu durante essa batalha, não sendo claro se foi detonado ou se foi atingido por fogo cruzado.

Haverá entre quatro mil e oito mil militantes do Daesh ainda na cidade, a segunda maior do país, com 1,5 milhões de habitantes, a partir de onde o autoproclamado califa do Iraque e da Síria, Abu Bakr al-Baghdadi, anunciou a instalação de um pretenso Estado Islâmico na região em junho de 2014. Reconquistar a cidade, a última ainda sob controlo do Daesh, marcará um "momento decisivo" na luta contra os militantes jiadistas no Médio Oriente, sublinha o chefe da Defesa norte-americana, general Ashton Carter. Esta segunda-feira, Baghdadi terá escapado "por poucos minutos" a um dos ataques aéreos da coligação.

Apesar dos rápidos avanços das forças iraquianas e curdas no terreno, as batalhas que se antecipam no centro urbano de Mossul – uma cidade com o quádruplo ou o quíntuplo da dimensão de outras localidades sob o jugo dos jiadistas –representam um enorme desafio, não só militar como humanitário, com a ONU a alertar repetidamente para o potencial êxodo de até um milhão de pessoas.

Há cerca de 30 mil tropas a combater o grupo, incluindo as forças do Governo, combatentes curdos e membros de tribos sunitas. Mais de cinco mil soldados norte-americanos foram igualmente destacados para missões de apoio nesta operação militar, bem como tropas de França, do Canadá e de outras nações ocidentais.

O Exército iraquiano está a avançar para Mossul pelas frentes sul e sudeste, com os peshmerga a cargo da operação militar no leste e também no norte e noroeste da cidade – onde segunda-feira declararam que já detêm o controlo de uma "faixa significativa" de território, uma estrada de 80 quilómetros que liga Erbil, a capital do Curdistão iraquiano, a Mossul.

A agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) já ergueu na zona cinco campos improvisados com capacidade para albergar 45 mil pessoas, planeando construir mais seis unidades nas próximas semanas para albergar outros 120 mil deslocados. Mesmo assim, aponta a organização, isto não será suficiente para gerir o enorme êxodo que se antecipa.

No discurso televisivo que marcou o início da ofensiva para reconquistar Mossul, o primeiro-ministro iraquiano Haider al-Abadi fez questão de garantir à população de Mossul que apenas as tropas do Governo irão entrar na cidade, numa tentativa de acalmar os receios de que esta operação resulte num conflito sectário e étnico entre sunitas e xiitas.

  • Cortar, isolar, apertar. Esmagar?

    Mais de 30.000 tropas estão a avançar esta segunda-feira determinadas a retomar o controlo da segunda maior cidade iraquiana, Mossul, sob poder do Daesh. É um acontecimento falado no mundo inteiro, pelo simbolismo e também pela implicação prática – chamam-lhe “batalha final”. O objetivo das tropas antiDaesh é cortar linhas de abastecimento, isolar a área e apertar o cerco para depois esmagar o exército jiadista. Mas as ruas da cidade estão todas armadilhadas - e há o receio de nova crise humanitária

  • “A hora da vitória chegou”: começou a batalha final para retomar Mossul ao Daesh

    Recapturar a cidade, último bastião do autoproclamado Estado Islâmico no Iraque, corresponde à derrota total do grupo jiadista no país. Autoridades iraquianas e da coligação internacional que apoia as suas forças por via aérea dizem que a ofensiva pode levar semanas, senão meses, a estar concluída. Haverá mais de um milhão de civis ainda a residir na cidade, que foram avisados da operação iminente através de milhares de panfletos ontem largados sobre a área