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Rebeldes apoiados pela Turquia reconquistam cidade simbólica da Síria

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NAZEER AL-KHATIB

Dabiq é uma das cidades do Médio Oriente mais referidas na propaganda do autoproclamado Estado Islâmico: situada a cerca de 10 quilómetros da fronteira com a Turquia, surge citada nas profecias apocalípticas do Islão como sendo o palco escolhido de uma futura “batalha final” entre os muçulmanos e os seus inimigos “romanos”. Desde domingo que está livre de militantes do Daesh

Rebeldes do Exército de Libertação da Síria (ELS) e de outros da oposição síria armada apoiados pela Turquia conseguiram reconquistar este domingo a cidade de Dabiq, pequena em tamanho e em número de habitantes mas de importância simbólica redobrada para o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

Em declarações a partir de Ancara, o ministro turco dos Negócios Estrangeiros confirmou que a cidade do norte da Síria, a apenas 10 quilómetros da fronteira com a Turquia, já está sob "total controlo" dos rebeldes sírios.

Apesar de, segundo o último levantamento da cidade pelo Governo sírio em 2004, ter apenas três mil habitantes, a pequena vila detém grande valor simbólico para o Daesh pelas inúmeras referências nas profecias islâmicas, que apontam a cidade como palco de uma futura "batalha final" entre os muçulmanos e os seus inimigos — motivo pelo qual o grupo escolheu esse nome para batizar a sua revista online de propaganda.

À Reuters, Ahmed Osman, comandante do grupo rebelde Sultan Murad, disse que o próximo passo é recapturar a vila vizinha de Soran. Um comandante de outro grupo rebelde, a Brigada Hamza, disse à Associated Press que a resistência dos 1200 militantes do Daesh destacados para defender Dabiq foi "mínima"; também de acordo com Saif Abu Bakr, o grupo de radicais retirou-se para a cidade de Al-Bab, mais a sul, à chegada dos cerca de dois mil rebeldes envolvidos na operação.

Os grupos tiveram o apoio de tanques e artilharia da Turquia e da coligação internacional liderada pelos EUA que enviou alguns aviões de guerra para a área. A operação surge no seguimento da ofensiva lançada pelas forças turcas em agosto para "limpar" a região fronteiriça de "terroristas" — para o Governo turco não apenas os militantes do Daesh como também os rebeldes curdos que têm estado a combater o grupo radical com o apoio do Ocidente.

Em setembro, o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, tinha declarado que os 91 quilómetros de fronteira partilhada com a Síria já estavam "inteiramente seguros" e que "todas as organizações terroristas foram forçadas a recuar".