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Presidente angolano satisfeito com a escolha de Guterres. E diz o que espera do português

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ALAIN JOCARD / AFP / Getty Images

José Eduardo dos Santos pronunciou-se sobre a escolha do ex-primeiro-ministro para secretário-geral das Nações Unidas

O Presidente angolano José Eduardo dos Santos enviou na passada sexta-feira uma mensagem de felicitações a António Guterres pela sua eleição como secretário-geral das Nações Unidas, onde afirma prever uma liderança "firme e esclarecida".

De acordo com uma nota da Casa Civil do Presidente da República, José Eduardo dos Santos transmite na sua mensagem que Guterres "poderá contar com o apoio da República de Angola na consecução dos fins, princípios e valores consagrados na Carta das Nações Unidas em prol da paz e segurança internacionais".

Na mesma mensagem, o chefe de Estado angolano ressalta que as "qualidades pessoais" do antigo primeiro-ministro português "constituem uma garantia inequívoca de que aquela organização internacional poderá contar com uma liderança firme e esclarecida", para dessa forma "superar os inúmeros desafios que se colocam no complexo mundo atual".

José Eduardo dos Santos espera e deseja que o português possa aplicar uma "neutralidade mais ativa" à frente do organismo que presidirá a partir de 1 de janeiro, e esta manhã voltou a responsabilizar a política externa dos últimos Presidentes dos Estados Unidos pela instabilidade em África e no Médio Oriente.

O chefe de Estado angolano discursava sobre o Estado da Nação na Assembleia Nacional, em Luanda, durante a sessão solene de abertura da quinta sessão legislativa da III legislatura, a última antes das eleições gerais de 2017. No seu discurso, Santos responsabilizou diretamente as administrações de George W. Bush e de Barack Obama. "Cada um com a sua especificidade e com o beneplácito dos seus aliados", disse.

Angola, o maior produtor de petróleo em África, é um tradicional aliado da Rússia, Cuba e mais recentemente da China, sendo atualmente membro não permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

"Utilizando a força, os Estados Unidos levaram a cabo intervenções em várias partes do mundo para impor os seus valores políticos, com resultados adversos. Acabaram assim por gerar mais instabilidade no Médio Oriente, na Ásia e em África, onde não conseguiram nem impor a paz, nem desencorajar os movimentos terroristas", afirmou.

"Que rumo agora seguirá a política externa americana, com o novo Presidente a ser eleito em novembro? Qual será a reação da Rússia e de outras potências de desenvolvimento médio? Um mundo mais seguro só pode ser arquitetado na base do diálogo e do entendimento desses dois grupos, e de uma neutralidade mais ativa da parte das Nações Unidas", concluiu.

António Guterres vai assumir a liderança das Nações Unidas por um mandato de cinco anos, até 31 de dezembro de 2021.