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Pode a morte de uma criança ser considerada “um dano colateral”? Duterte diz que sim

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MARK R. CRISTINO / REUTERS

Presidente das FIlipinas afirmou que as crianças alegadamente mortas durante as operações policiais na guerra contra a droga são “danos colateriais”

“Danos colateriais.” Foi assim que o Presidente das Filipinas considerou as crianças já mortas durante as operações policiais de caça aos traficantes de droga.

Questionado sobre este drama durante uma entrevista à al-Jazeera, Rodrigo Duterte disse que a morte de crianças e inocentes seria investigada mas lembrou que a polícia pode, impunemente, matar centenas de civis.

E deu como exemplo os casos em que um operacional, com a sua espingarda de assalto M16, tem de enfrentar um “criminoso” armado com uma pistola. “Quando se encontram, há fogo cruzado. Um polícia de M16 é um arraso. Consegue atingir mil pessoas e estas morrem”, afirmou o chefe de Estado filipino. “Não pode ser considerado negligência – prossegue Duterte – porque [o polícia] tem de salvar a sua própria vida.”

Durante a entrevista, o Presidente comparou as vítimas inocentes nas Filipinas às das forças armadas norte-americanas durante a Guerra do Vietname e do Afeganistão.

“Quando se bombardeia uma aldeia, o objetivo é matar o inimigo mas também morrem crianças. Por que razão as consideram danos colaterais no Ocidente e assassinatos nas Filipinas?”, questiona.

Desde que Rodrigo Duterte chegou ao poder, a 30 de junho, a polícia e as milícias já mataram cerca de 1500 pessoas na guerra por si declarada à droga e à toxicodependência.

  • As contradições e complexidades do homem que se orgulha de matar criminosos

    Rodrigo Duterte chegou de rompante à campanha presidencial das Filipinas e assim continuou: com tiradas questionáveis, a ganhar pontos por entre insultos ao Papa, piadas sobre violações e ameaças aos bandidos e traficantes. Foi também acusado de criar esquadrões da morte e de mandar executar 700 alegados criminosos sem direito a julgamento - durante a campanha negou as acusações e corrigiu os números, reclamando ter executado, na verdade, 1700 pessoas. “Esqueçam as leis sobre direitos humanos. Vou atirar os criminosos à baía de Manila para alimentar os peixes.” Mas há mais: é elogiado por pagar do próprio bolso a advogados para defenderem mulheres que são vítimas de violência doméstica e por querer pôr na agenda o casamento homossexual – “todos têm o direito a ser felizes”. Há mês e meio acabou eleito Presidente. Quem é este homem complexo que desperta contradições e que chegou aos jornais de todo o mundo? Republicamos o perfil deste político, incluído no Expresso Diário do dia seguinte à sua eleição