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Cortar, isolar, apertar. Esmagar?

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Getty

Mais de 30.000 tropas estão a avançar esta segunda-feira determinadas a retomar o controlo da segunda maior cidade iraquiana, Mossul, sob poder do Daesh. É um acontecimento falado no mundo inteiro, pelo simbolismo e também pela implicação prática – chamam-lhe “batalha final”. O objetivo das tropas antiDaesh é cortar linhas de abastecimento, isolar a área e apertar o cerco para depois esmagar o exército jiadista. Mas as ruas da cidade estão todas armadilhadas - e há o receio de nova crise humanitária

As testemunhas relatam o som dos ataques dos helicópteros e de várias explosões vindas do acesso leste de Mossul, conta a agência Reuters. São os sinais de que está em marcha aquela que é considerada uma missão estratégica para as forças aliadas: recuperar a segunda maior cidade do Iraque expulsando o Daesh

Numa operação sem precedentes desde a invasão norte-americana ao Iraque em 2003, mais de 30.000 tropas avançam, tendo a aproximação começado de manhã, bem cedo, pelos lados sul e leste.

Apenas o exército e a polícia entrarão na cidade, foi dito pelo Governo iraquiano, ainda que numerosas forças de segurança participem na ofensiva militar, incluindo curdos peshmergas e milícias sunitas e xiitas, com o apoio da coligação internacional que combate o Daesh (sobretudo meios dos EUA, ajudados por Reino Unido e França).

Com cerca de 2 milhões de habitantes e transformada num reduto do Daesh desde que os extremistas a tomaram, em junho de 2014, a perda da cidade representa o mais pesado golpe sobre o grupo terrorista.

“O tempo da vitória chegou e as operações para libertar Mossul começaram”, anunciou o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, numa declaração endereçada aos residentes de Mossul e transmitida pela televisão: “Hoje declaro o início dessas operações vitoriosas para libertar-vos da violência e do terrorismo do Daesh”.

SAFIN HAMED / Getty

A ofensiva foi cuidadosamente preparada, tendo começado a ser planeada ainda antes do verão, lembra o diário espanhol “El Pais”. A própria população da zona foi avisada, com a aviação iraquiana a lançar, este domingo, folhetos onde anunciava a iminência da operação e recomendava que todos ficassem em suas casas, garantindo que não serão atacados civis.

O objetivo é cortar linhas de abastecimento, isolar a área e apertar, depois, o cerco. É impossível saber a que ritmo avançarão as forças aliadas, que contam com as dificuldades criadas pelos combatentes do Daesh, que criaram uma rede de túneis sob a cidade e armadilharam todas as ruas. Outra das manobras a que recorreram foi incendiar pneus e outros materiais, criando nuvens de fumo espesso que dificultam a visibilidade e a aproximação a Mossul.

Receio de crise humanitária

O enfraquecimento do Daesh depende do sucesso desta ofensiva, apontam os observadores, que acreditam que a perda da cidade acarretará a perda de poder e prestígio do autoproclamado califado.

Mas a ofensiva tem muitos riscos. As autoridades temem que mais de um milhão de pessoas sejam forçadas a abandonar a cidade, com o Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) a afirmar que até 100 mil iraquianos podem tentar fugir do ataque, indo para a Síria e Turquia, sem que as organizações humanitárias tenham capacidade para os apoiar.

AZAD LASHKARI/REUTERS