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Clinton com enorme vantagem sobre Trump em vésperas do último debate

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Saul Loeb-Pool

Uma das últimas sondagens nacionais dá vantagem de 11 pontos percentuais à candidata democrata sobre o rival republicano. Terceiro e último frente a frente televisivo entre os aspirantes à Casa Branca acontece na próxima quarta-feira, a menos de três semanas da ida às urnas

Nem Barack Obama conseguiu um avanço tão grande sobre o seu rival republicano nas eleições de 2008. Nesse ano, a histórica eleição do primeiro Presidente negro dos EUA foi firmada com uma vitória do democrata sobre o senador republicano John McCain, com uma vantagem de sete pontos percentuais a nível nacional no dia das eleições, uma margem que foi reduzida para apenas 4% nas eleições de 2012, quando Obama derrotou o republicano Mitt Romney e foi reconduzido no cargo.

Agora, a menos de um mês da ida às urnas para as mais disputadas eleições norte-americanas da memória recente, às quais Obama não pode recandidatar-se, uma nova sondagem nacional aponta uma vantagem de 11 pontos percentuais a Hillary Clinton sobre o rival republicano Donald Trump. O inquérito de opinião para a NBC News e o "Wall Street Journal", que atribui 7% das intenções de voto ao libertário Gary Johnson e 2% à candidata d'Os Verdes Jill Stein, surge a três dias do último debate televisivo entre os dois principais aspirantes à Casa Branca.

"As hipóteses de Donald Trump vencer esta eleição dissiparam-se", dizia este domingo à NBC Fred Yang, especialista de sondagens da Hart Research Associates, o instituto de inquéritos de opinião democrata que conduzuiu a sondagem, em parceria com a firma Public Opinion Strategies, do republicano Bill McInturff. "Esta sondagem mostra que a derrota [do magnata, a 8 de novembro] está escrita na parede."

O avanço de Clinton sobre Trump sugerido nesta sondagem é muito superior às previsões de outros inquéritos recentes, como um feito para o "Washington Post" que coloca a ex-secretária de Estado quatro pontos percentuais à frente do empresário. De acordo com o Real Clear Politics, que agrega todas as sondagens nacionais e estatais disponíveis, neste momento Clinton lidera as intenções de voto com um avanço de 5,5%.

FOTO MIKE SEGAR/REUTERS

A "fraude" e o teste de drogas

Não era preciso mais esta sondagem impactante para Trump perceber que está a perder terreno. Especialistas consultados pelo Expresso nas últimas semanas têm sublinhado que uma das principais causas para a derrota anunciada do republicano (que outros tantos analistas dizem não ser assim tão certa) é o facto de este nunca ter querido apelar à base do partido – um eleitorado conservador que, nas últimas semanas, tem sido confrontado com sucessivas acusações e gravações que comprovam a forma abusadora e sexista como o candidata trata as mulheres, uma parte fundamental do eleitorado este ano, independentemente da sua cor partidária.

Na última semana, desde o segundo debate presidencial, Trump tem rebatido consecutivamente o amontoar de alegações de abusos sexuais, que a 13 de outubro motivaram um poderoso discurso de Michelle Obama num comício de campanha de Clinton, no qual a primeira-dama falou do coração, sem cábulas, com a voz a tremer, sobre a profunda tristeza de, em pleno ano de 2016, haver um candidato à Casa Branca que não só rebaixa as mulheres com palavras e ações como se gaba disso — assim o demonstra a gravação de 2005 divulgada pelo "Washington Post" a 7 de outubro, que veio dar força a várias mulheres para finalmente denunciarem comportamentos abomináveis do empresário nas últimas décadas, incluindo beijos na boca e apalpões sem consentimento.

O resultado das eleições norte-americanas, e por acréscimo o futuro do país e do resto do mundo, depende de um punhado de estados swing, que oscilam entre o Partido Democrata e o Republicano, revestidos de importância redobrada por servirem para captar votos que garantam a um dos candidatos o mínimo de 270 assentos no Colégio Eleitoral, que aponta o Presidente.

Clinton não só está à frente de Trump na maioria desses estados como a sua vitória prevista em grandes estados azuis (democratas) leva vários analistas a anteciparem que, mesmo que o republicano vença em cinco dos sete principais swing, pode mesmo assim perder as eleições.

Consciente deste facto, Trump está a reforçar a retórica antissistema, com os seus últimos eventos de campanha marcados por discursos em que incita a população a rebelar-se contra o governo se ele for derrotado nas urnas. Se isso acontecer, tem sublinhado sucessivas vezes, é porque terá havido uma "fraude" no dia das eleições, depois de uma campanha de "difamação" da sua pessoa e de "conspiração" contra a sua campanha conduzida pelos media.

"Estas acusações [de abuso sexual e assédio] são todas fabricadas", referiu num comício em West Palm Beach, na Florida, há alguns dias. "São pura ficção, completas mentiras. Estas coisas nunca aconteceram." Já este sábado, num evento em New Hampshire, um dos mais pequenos mas mais importantes estados swing, Trump reforçou as acusações: "Parece-me que esta eleição é fraudulenta. Está a ser manipulada pelos media liberais para reforçar mentiras e defraudar a eleição."

Para "provar" que assim não é, Trump sugeriu há alguns dias que tanto ele como a adversária sejam sujeitos a testes antidrogas antes do último debate, depois de amanhã, para provar que Clinton não está "dopada" como no último frente a frente em direto. "Não sei o que se passa com ela: no início do último debate, estava toda acelerada e, no final, já pedia 'Levem-me até lá abaixo', mal conseguiu chegar ao seu carro", disse o candidato de 70 anos, num comício no New Hampshire, voltando a dar força à sugestão de que Clinton não está assim tão bem de saúde. "Os atletas são obrigados a fazer um teste de drogas. Acho que devíamos fazer um antes do debate. Porque é que não fazemos isso?"