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Internacional

Alcançado acordo global para reduzir emissões de gases com efeito de estufa

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Chip Somodevilla/Getty Images

Mais de 150 países chegaram a acordo sobre a redução da emissão de hidrofluorcarbonetos, gases com efeito de estufa que se calcula serem mil vezes mais potentes do que o dióxido de carbono, usados em frigoríficos e aparelhos de ar-condicionado

Helena Bento

Jornalista

Representantes de mais de 150 países, incluindo a China e os Estados Unidos, chegaram este sábado a um acordo sobre a redução faseada da emissão dos hidrofluorcarbonetos (HFC), gases com efeito de estufa usados em frigoríficos e aparelhos de ar-condicionado. Trata-se de “um monumental passo em frente” e “uma grande vitória para o planeta Terra”, disse John Kerry, secretário de Estado norte-americano, que ajudou a alcançar este acordo.

O documento, que foi assinado na capital do Ruanda, em Kigali, e funciona como uma emenda ao protocolo de Montreal, fixado em 1987, obriga a uma diminuição gradual dos HFC nas economias mais ricas já a partir de 2019, refere o “Guardian”. Tendo como referência os níveis de 2012, estas economias devem reduzir o seu uso em 15% até 2036, diz o “New York Times”. Países como a Índia, o mais poluidor do mundo, o Paquistão e alguns estados do Golfo, pediram para, no seu caso, a data de entrada em vigor do acordo ser adiada para 2028, alegando precisarem de mais tempo para as suas economias crescerem.

Ao contrário do acordo global sobre as mudanças climáticas estabelecido em Paris, no final de 2015, o novo acordo de Kigali obriga ao cumprimentos de metas, prevendo sanções para os infractores. Por outro lado, os países mais ricos comprometeram-se a ajudar a financiar a transição dos países mais pobres para os produtos alternativos aos HFC.

Em comunicado, Miguel Arias Canete, comissário da União Europeia, congratulou-se com esta “grande vitória para o clima”. “Demos um grande e concreto passo para cumprir as promessas feitas em Paris [cimeira do clima], em dezembro passado”, disse, acrescentando depois que “a redução faseada global que acordámos hoje pode eliminar até meio grau de aquecimento até ao final do século”.

Os hidrofluorcarbonetos foram introduzidos nos anos de 1980 para substituir químicos que causavam erosão da camada de ozono, mas acabaram por se revelar catastróficos para o aquecimento global. Apesar de constituírem uma pequena percentagem dos gases libertados para a estratosfera, a sua potência é das mais elevadas - calcula-se, aliás, que sejam mil vezes mais potentes do que o dióxido de carbono.