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Reino Unido ou tem 'hard Brexit' ou 'nenhum Brexit', avisa Donald Tusk

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FRANCOIS LENOIR/Reuters

Presidente do Conselho Europeu garante que Bruxelas não vai pôr em risco a livre circulação de pessoas, pilar fundamental do mercado único, para agradar aos britânicos e desmente versão de defensores da saída da UE que dizem que o Reino Unido vai manter benefícios ficando isento das regras

O Reino Unido só tem uma alternativa ao 'hard Brexit' que é "nenhum Brexit": ou aceita a livre circulação de pessoas para continuar a integrar o mercado único europeu sem pertencer à União Europeia ou então não sai do bloco.

Assim ditou na quinta-feira Donald Tusk em Bruxelas, num discurso duro em que avisou que a UE não vai comprometer os pilares fundamentais do espaço de livre circulação para ceder às condições impostas por Londres na sequência da vitória do Brexit no referendo de junho.

Na semana passada, Theresa May anunciou que o seu governo vai ativar o artigo 50 do Tratado de Lisboa e dar assim início formal às negociações de saída até ao final de março do próximo ano — um processo que tem de estar concluído num prazo máximo de dois anos e através do qual a primeira-ministra pretende alcançar um estatuto especial para o Reino Unido fora da UE.

No seu discurso, o chefe dos líderes da UE, que vai liderar as negociações do Brexit entre os Estados-membros, fez questão de desfazer a crença entre os que apoiam a saída do Reino Unido de que os britânicos vão poder "ter o bolo da UE e comê-lo". A expressão original em inglês traduz-se, neste caso, em regalias para o Reino Unido dentro do mercado único impondo, contudo, mais controlos à imigração e deixando de estar sujeito aos dítames dos tribunais europeus.

Para Tusk tal não é possível e foi essa ideia que reforçou com algum humor ontem em Bruxelas. "Para todos os que acreditam nisso [que o Reino Unido vai poder continuar a integrar o mercado único sem respeitar a livre circulação de pessoas e as instâncias judiciais da UE], proponho uma experiência simples: comprem um bolo, comam-no e vejam se a seguir ele continua no prato. A verdade brutal é que o Brexit será uma perda para todos nós. Vai deixar de haver bolos na mesa para toda a gente. Passará a haver apenas sal e vinagre."

No mesmo discurso, Tusk sugeriu ainda que, em última instância e se quiser poupar as trocas comerciais com os parceiros europeus, o Reino Unido pode optar por não abandonar a UE e não seguir a vontade dos 52% dos eleitores que, nas urnas, votaram a favor dessa saída — "ainda que atualmente quase ninguém acredite em tal possibilidade", assumiu o líder dos Chefes de Estado e de Governo dos Estados-membros.