Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Colômbia prolonga cessar-fogo com as FARC até ao final do ano

  • 333

YOAN VALAT / Getty

Novo prazo foi anunciado pelo Presidente da Colômbia e mais recente Nobel da Paz, Juan Manuel Santos, numa tentativa de resgatar o acordo de paz e conseguir renegociá-lo rapidamente depois de um chumbo surpresa por uma maioria dos eleitores chamados às urnas a 3 de outubro

O Presidente colombiano anunciou na quinta-feira o prolongamento do cessar-fogo com os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) até ao final do ano para comprar mais tempo para salvar o acordo de paz que uma maioria da população chumbou no início de outubro em referendo.

Juan Manuel Santos tem passado os últimos dias em reuniões com os que se opõem ao acordo nos moldes em que foi assinado pelo seu Governo e pelo grupo rebelde no mês passado. Entre eles conta-se o ex-Presidente colombiano, Álvaro Uribe. Uma nova proposta de acordo será apresentada aos líderes das FARC num encontro em Havana, capital cubana, onde as negociações de paz estiveram a decorrer nos últimos quatro anos.

O cessar-fogo original implementado uma semana antes da votação terminava com o plebiscito e, depois do seu chumbo, já tinha sido alargado até 31 de outubro. Num discurso à nação emitido na televisão, Santos disse ontem que tomou a decisão de voltar a alargar a trégua após um encontro com líderes estudantis que têm estado a organizar as marchas de Bogotá a favor do acordo de paz.

"Um dos estudantes lembrou-me que nas fileiras do Exército e da guerrilha há jovens pessoas à espera de ver o que acontece, na esperança de que não precisem de disparar mais nenhuma bala", disse o Presidente. "Por essa razão, e a pedido dos estudantes, decidi prolongar o cessar-fogo até 31 de dezembro."

O acordo de paz que Uribe e os seus seguidores rejeitaram há duas semanas vinha pôr fim a 52 anos de um conflito civil que provocou pelo menos 220 mil mortos e quase oito milhões de deslocados. Como forma de incentivar as contínuas negociações de paz, o Comité do Nobel da Paz laureou Santos esta semana, sem contudo incluir nele Timochenko, nome de guerra do líder das FARC, Timoleon Rodriguez.

Na quarta-feira, o guerrilheiro disse estar confiante de que o acordo possa ser revisto e aprovado pela população, embora assuma que há alíneas em que não está disposto a ceder. Uribe e os que são contra o documento na sua atual forma não querem que as FARC recebam assentos no Congresso nem que as sentenças para os rebeldes que cometeram crimes se limitem a trabalho comunitário, como limpar campos cheios de minas anti-pessoal.