Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

“Transparência” da escolha de Guterres elogiada na ONU

  • 333

O presidente da Assembleia-geral, Peter Thomson, qualificou como histórico o processo de seleção do nono secretário-geral

GETTY

“Histórico”, “guiado por princípios de transparência e abrangência”, é o modo como foi qualificado o processo que levou à escolha de António Guterres como secretário-geral da ONU

Os representantes dos grupos regionais das Nações Unidas elogiaram a transparência do processo que resultou na escolha de António Guterres para secretário-geral, destacando a sua “vasta experiência” e esperando que prossiga com as reformas internas.

O presidente da Assembleia-geral, Peter Thomson, qualificou como histórico o processo de seleção do nono secretário-geral, que foi “pela primeira vez guiado por princípios de transparência e abrangência” e terminou hoje com a aclamação de Guterres em sessão plenária na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Destacando a “vasta experiência” de Guterres, Thomson acredita que o antigo primeiro-ministro português “vai servir a comunidade internacional com dedicação”.

Garantindo que “fará tudo para facilitar um processo de transição suave”, Thomson adiantou que Guterres já aceitou o convite da Assembleia-geral para uma reunião no dia 19, para debater prioridades e desafios da organização.

Em nome do grupo África, o representante do Níger destacou a “experiência em assuntos internacionais” de Guterres, que assumirá funções a 1 de janeiro de 2017.

Em nome do grupo Ásia-Pacifico, o representante do Kuwait considerou que Guterres tem uma “clara visão sobre o papel das Nações Unidas, que dá a todos os Estados-membros uma esperança renovada no futuro”, e disse esperar que o “político veterano” consiga ajudar a resolver os conflitos na região.

O representante da Geórgia, em nome do grupo Europa de Leste, destacou o compromisso de Guterres com o multilateralismo, enquanto o representante do Chile, em nome do grupo América Latina e Caraíbas, elogiou as suas “competências diplomáticas” e independência.

Em nome do grupo Europa Ocidental e Outros Países, o representante do Reino Unido congratulou Guterres em português - “muitos parabéns” - e disse acreditar na sua capacidade para “gerir eficaz e efetivamente” a organização, avançando “com as muito necessárias reformas” internas.

“Uma Organização das Nações Unidas forte é necessária mais do que nunca e hoje escolhemos um secretário-geral forte para a liderar”, frisou.

No discurso mais longo e divertido, a representante dos Estados Unidos, na qualidade de país de acolhimento da sede das Nações Unidas, confessou que ela própria teve dúvidas sobre “se deveria evitar fazer planos de natal com a família no caso de o processo [de seleção do secretário-geral] se arrastar”.

“Dadas as conhecidas divisões no Conselho de Segurança, muitos temiam que não conseguisse chegar a um consenso sobre o próximo secretário-geral”, explicou, fazendo Guterres sorrir, o que aconteceu raramente durante a sessão.

Mas a americana repetiria o feito. Como única mulher representante permanente no atual Conselho de Segurança e uma de apenas 37 mulheres representantes permanentes dos 193 Estados-membros, assumiu que a desigualdade de género é um assunto relevante.

“Mas, se ser mulher não está entre as muitas qualificações de Guterres, ele comprometeu-se com a paridade de género em todos os níveis das Nações Unidas, com claros objetivos e prazos”, sublinhou, descrevendo o português como “extremamente qualificado” e capaz de “juntar cabeça e coração”.

Recordando que, enquanto Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Guterres passou noites em campos de refugiados, a representante dos EUA pediu um secretário-geral mediador da paz, reformista e defensor dos direitos humanos.

No final, citou o norueguês Trygve Lie, secretário-geral entre 1946 e 1952, que dizia que este era “o trabalho mais impossível do mundo”, para alertar: “O trabalho não ficou mais fácil com o tempo, mas sem dúvida que é hoje ainda mais importante.”