Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Navio de guerra americano dispara mísseis contra posições rebeldes do Iémen

  • 333

É a primeira vez que os Estados Unidos lançam um ataque direto contra os rebeldes iemenitas hutis, membros de um grupo indígena xiita que está a lutar contra o Governo do Iémen. Disparos foram aprovados por Obama, diz o Pentágono, em resposta a dois ataques recentes dos rebeldes a um outro navio americano

Um navio de guerra americano atracado na costa do Iémen disparou três mísseis-cruzeiro esta quinta-feira contra uma instalação de radares que o Pentágono acredita ter sido usada por insurgentes iemenitas para atacarem um outro navio dos Estados Unidos, em duas instâncias nos últimos quatro dias.

O ataque contra os rebeldes hutis que combatem o Governo iemenita marca a primeira vez que os EUA se envolvem militarmente na guerra civil entre o grupo de insurgentes xiitas com "algumas ligações ao Irão", avança o "New York Times", e o Governo do Iémen, que é apoiado pela Arábia Saudita e outras nações sunitas aliadas dos norte-americanos.

O Pentágono diz que o ataque desta manhã foi aprovado por Barack Obama e sublinha que as forças norte-americanas estacionadas na região podem vir a disparar mais mísseis contra os rebeldes hutis se os navios dos EUA voltarem a ser alvos dos seus ataques. "Estes ataques limitados de autodefesa foram conduzidos para proteger o nosso pessoal, os nossos navios e a nossa liberdade de navegar esta importante passagem marítima", refere Peter Cook, porta-voz do Departamento de Defesa, em comunicado. "Os Estados Unidos vão responder a qualquer ameaça contra os nossos navios e tráfego comercial."

No mesmo comunicado, é referido que os disparos de mísseis destruíram três instalações de radares, horas depois de pelo menos um míssil ter sido disparado contra o USS Mason, um contratorpedeiro da Marinha norte-americana, no Mar Vermelho ao largo da costa do Iémen. O navio não ficou danificado nesse ataque.

No domingo, dois outros mísseis tinham sido disparados contra o USS Mason provenientes do mesmo território controlado pelos rebeldes. Ambos atingiram a água antes de alcançarem o navio, avança o Pentágono. Na altura, um porta-voz do movimento huti disse à agência de notícias Saba que os mísseis não tinham como alvo quaisquer navios de guerra.

A troca de disparos acontece numa altura em que o apoio dos EUA à coligação multinacional liderada pelos sauditas na guerra civil do Iémen estava em dúvida, após um ataque aéreo dessa coligação ter atingido um funeral na capital, Sana, no início deste mês, provocando pelo menos 140 mortos.

Washington disse na altura que ia rever o seu apoio à coligação sunita para "a alinhar melhor com os princípios, valores e interesses dos EUA". O Governo saudita não reconhece publicamente que foram os seus aviões de guerra os responsáveis por esse ataque e, depois de abrir uma investigação ao caso, disse que ia facilitar a retirada de civis feridos no ataque que precisem de tratamento médico fora do território em guerra.

De acordo com a ONU, pelo menos 4125 civis já morreram e mais de 7200 ficaram feridos desde março de 2015, quando a coligação começou a envolver-se no conflito entre as forças leais ao Governo iemenita internacionalmente reconhecido e as forças alinhadas com os hutis. A campanha liderada pelos sauditas já levou também a que 2,8 milhões de pessoas fugissem das suas casas, deixando mais de 80% da população vulnerável e em urgente necessidade de ajuda humanitária.