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Internacional

Violência regressa a Myanmar

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Sem direito a cidadania birmanesa, os rohingya são rejeitados pela maioria da população budista e acusados sempre que a violência irrompe no país

© Soe Zeya Tun / Reuters

A morte de treze membros das forças de segurança em três dias colocou a antiga Birmânia em tensão. Perseguidos pelo Estado e pela maioria da população budista, a minoria rohingya (muçulmana) é, mais uma vez, responsabilizada pela violência

Margarida Mota

Jornalista

Pelo menos doze pessoas, incluindo quatro soldados, foram mortas durante confrontos registados na terça-feira no estado de Rakhine, na parte ocidental de Myanmar, noticia esta quarta-feira o diário birmanês “The Irrawaddy”. A mais recente vaga de violência na antiga Birmânia opõe forças governamentais e “centenas de homens armados” com pistolas, facas e espadas, escreve a imprensa local.

A segurança naquela região de maioria muçulmana degradou-se no domingo após ataques coordenados contra três postos da polícia junto à fronteira com o Bangladesh terem provocado nove mortos entre as forças de segurança.

Segundo o correspondente da BBC em Rangum, Jonah Fisher, “não é claro quem está por trás desta nova força armada em Rakhine, mas os rohingya estão a ser acusados dos ataques”.

Cidadãos de segunda

Os rohingya são uma minoria de religião muçulmana, perseguida pela maioria budista da população e pelo Estado, que lhes nega cidadania. Os rohingya dizem-se descendentes de comerciantes árabes e parte integrante da população birmanesa desde há gerações, enquanto muitos budistas acusam-nos de serem migrantes oriundos do vizinho Bangladesh.

As Nações Unidas já expressaram “profunda preocupação” em relação à mais recente vaga de violência, apelando à “máxima conteção” por todas as partes. “Nesta conjuntura delicada, as comunidades locais têm de evitar a provocação através de incidentes como estes”, reagiu em comunicado o assessor especial do secretário-geral das Nações Unidas para Myanmar, o diplomata indiano Vijay Nambiar. “E os seus líderes têm de trabalhar ativamente para prevenir o incitamento e o ódio mútuo entre populações budistas e muçulmanas.”

Em 2012, a violência inter-religiosa no estado de Rakhine fez mais de 100 mortos e forçou mais de 100 mil rohingya a procurar abrigo em campos de refugiados, onde ainda vivem.

A perseguição aos rohingya é um assunto sensível no país, incluíndo para personalidade como Aung San Suu Kyi, a ex-líder da oposição e atual ministra dos Negócios Estrangeiros, criticada no estrangeiro e dentro de portas por “responder com silêncio” à perseguição aos muçulmanos birmaneses.