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Silêncio de Salah Abdeslam leva equipa de defesa a afastar-se

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Advogados do principal suspeito dos atentados de há onze meses em Paris, que vitimaram mais de 130 pessoas, abandonam caso e dizem que já não vão representá-lo em tribunal

Os advogados de Salah Abdeslam, o principal suspeito dos atentados de novembro passado em Paris, que provocaram 130 mortos e dezenas de feridos, dizem que já não vão defendê-lo em tribunal porque o belga continua a remeter-se ao silêncio.

"Dissemos desde o início que se o nosso cliente ficasse em silêncio iríamos desistir da sua defesa", declarou Frank Berton em entrevista à BFM TV, ao lado do colega Sven Mary.

Abdeslam, que foi detido num subúrbio de Bruxelas no final de março após a capital belga ter sido alvo de outra onda de ataques reivindicados pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), está em silêncio desde que foi extraditado para França, em abril, a fim de ser julgado pela sua alegada participação nos atentados de novembro contra bares, restaurantes, uma sala de concertos e o Estádio de França em Paris.

Na prisão de alta segurança onde aguarda julgamento, o belga está a ser monitorizado 24 sobre 24 horas através de um sistema de vídeovigilância instalado na sua cela, algo que, segundo Berton, tem sido "particularmente perturbador" para o suspeito. Abdeslam é acusado de planear os ataques de 13 de novembro na capital francesa e de transportar os militantes do Daesh que o executaram, embora os investigadores assumam que ainda não determinaram o papel específico que desempenhou.

A BFM TV avança que Abdeslam foi informado de que os dois advogados já não vão representá-lo no passado dia 6 de outubro e que, até ao momento, continua sem querer que sejam substituídos. Sob a lei francesa, um suspeito não precisa de representação legal durante a fase de investigação aos alegados crimes mas em tribunal sim. Na entrevista conjunta ao canal, Sven Mary sublinhou que "as verdadeiras vítimas disto são as vítimas dos ataques de Paris, porque têm direito à verdade e porque têm direito a tentar compreender o incompreensível".