Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Rússia retoma bombardeamentos a Alepo após Putin cancelar visita a Paris

  • 333

ABDALRHMAN ISMAIL / REUTERS

Kremlin acusou ontem França de querer humilhar o Presidente russo por causa de planos de Hollande para uma “reunião de trabalho” sobre a Síria

A Força Aérea russa retomou na madrugada desta quarta-feira os ataques aéreos contra os distritos do leste de Alepo controlados pelos rebeldes da oposição a Bashar al-Assad, no que ativistas dizem ser os piores bombardeamentos dos últimos dias à cidade, que provocaram pelo menos 25 mortos, incluindo crianças.

A retomada dos ataques acontece após uma curta trégua do regime sírio, em parte para permitir que os civis encurralados nas áreas rebeldes pudessem abandonar a cidade, em parte como forma de pressão derradeira aos rebeldes para que se entreguem. Alepo tem estado sob fogo quase constante das forças sírias e russas desde o colapso de um cessar-fogo de sete dias no final de setembro — de tal forma que o enviado especial da ONU para a Síria já avisou que, a este ritmo, a cidade enfrenta a total extinção dentro de dois meses.

Quase dez mil sírios já morreram no último ano vítimas de bombardeamentos russos em várias partes do país, em apoio às forças leais a Assad. O regresso aos bombardeamentos constantes de Alepo esta madrugada, depois de duas semanas de campanha intensiva contra zonas civis do leste de Alepo, coincide com o cancelamento de uma visita oficial do Presidente russo a França, depois de o Palácio do Eliseu ter sugerido que ia organizar uma “reunião de trabalho sobre a Síria” entre Vladimir Putin e François Hollande.

Na segunda-feira, o Presidente francês questionou se deveria manter a visita de Putin na agenda, após ter sugerido que as autoridades russas podem enfrentar acusações formais de crimes de guerra por causa da ofensiva em Alepo. No dia seguinte, o Kremlin acusou Paris de tentar humilhar o seu líder e confirmou que o Presidente russo já não vai viajar até à capital francesa.