Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Obama pede aos republicanos que rejeitem Trump

  • 333

Getty Images

Em campanha por Hillary Clinton na Carolina do Norte, o Presidente norte-americano disse que a conversa em que o candidato republicano se vangloria de apalpar mulheres sem consentimento deve ofender “qualquer ser humano decente”

O Presidente dos Estados Unidos pediu aos altos cargos do Partido Republicano que retirem formalmente o seu apoio à candidatura presidencial de Donald Trump, sublinhando que não faz sentido condenar e denunciar as declarações vulgares do magnata e continuar, ao mesmo tempo, a apoiá-lo na corrida.

O pedido foi feito por Barack Obama esta terça-feira à noite (madrugada de quarta em Portugal) num comício de campanha da aspirante democrata à Casa Branca e sua ex-secretária de Estado Hillary Clinton, na Carolina do Norte – horas depois de uma contagem da Reuters dar conta de que quase metade dos 331 senadores, representantes e governadores republicanos em funções já condenaram as declarações de Trump mas que apenas 10% deles pressionaram o candidato para desistir da corrida ou se afastaram publicamente dele.

Obama questionou como é que os republicanos, sobretudo os mais altos cargos do partido, continuam a apoiar Trump depois do que foi denunciado. "O facto é que agora temos pessoas a dizer: 'Discordamos fortemente, condenamos... mas ainda assim vamos apoiá-lo.' Eles ainda acham que ele deve ser Presidente, o que não faz qualquer sentido para mim."

Para Obama, os comentários que Trump julgou não estarem a ser gravados e que no seu entender são mera "conversa de balneário" seriam suficientes para impedi-lo até de trabalhar numa loja. "Estamos num ponto em que o tipo diz coisas que ninguém consideraria toleráveis se estivesse a candidatar-se a um emprego numa bomba de gasolina. Não é preciso ser-se um marido ou um pai para ouvir o que acabámos de ouvir há alguns dias e dizer que aquilo não está certo. Só é preciso ser-se um ser humano decente para dizer que aquilo não está certo."

Na segunda-feira, Paul Ryan, o líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes, declarou que não vai defender Trump após a divulgação do áudio de uma conversa entre o agora candidato presidencial e o apresentador Billy Bush, há 11 anos, na qual Trump se gaba de ter tido um caso com uma mulher casada e de beijar e apalpar mulheres "sem sequer pedir", porque é uma "estrela" e "pode" fazê-lo.

Aos colegas da câmara baixa do Congresso, Ryan disse que vai concentrar todas as suas atenções nas eleições para as duas câmaras e esquecer as presidenciais, para garantir que o partido consegue manter o controlo legislativo. Ainda assim, o mais alto representante republicano eleito ficou aquém de retirar oficialmente o seu apoio à candidatura de Trump ou de o pressionar a sair da corrida e a passar o testemunho ao seu vice, Mike Pence, como um punhado de outros republicanos já fizeram.

Trump não ficou contente com o anúncio de Ryan e numa série de tweets na madrugada de terça-feira comprou a guerra com o partido pelo qual se candidata nas eleições gerais de 8 de novembro. "R's [republicanos] desleais são ainda difíceis que a Crooked Hillary. Vêm contra ti de todos os lados. Eles não sabem como ganhar – eu vou mostrar-lhes!", escreveu num tweet, logo depois de ter anunciado que se libertou das "algemas" do partido para "lutar pela América como eu quero".

Num outro post, o empresário tornado político lançou ainda ataques contra o senador John McCain, ex-candidato presidencial e até agora o mais alto representante republicano eleito a já ter retirado o seu apoio formal a Trump. Apesar do cenário de guerra aberta, alguns membros do Partido Republicano dizem que vão continuar a apoiar Trump. Entre eles conta-se o governador de New Jersey Chris Christie, que disse ter ficado "realmente afetado" pelos comentários de Trump sobre o tratamento de mulheres mas que vai continuar a apoiá-lo, porque a eleição "tem a ver com assuntos maiores que esse". E também o seu antigo rival nas primárias, o senador Ted Cruz, que mantém o apoio a Trump porque Clinton é "um desastre absoluto".

Depois da divulgação desta gravação na sexta-feira pelo "Washington Post", Trump e Clinton encontraram-se em St. Louis, no Missouri, para o segundo dos três debates presidenciais desta temporada, do qual a democrata voltou a sair vencedora. Uma sondagem conduzida pelo PRRI para a revista "Atlantic" depois desse frente a frente dá uma forte vantagem a Clinton com 49% dos apoios contra 38% para o rival.