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Drone jihadista mata combatentes curdos e fere militares franceses no Iraque

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Apesar de o Pentágono ter já avisado que o grupo extremista Daesh utiliza drones simples e baratos para realizar vigilância e transportar pequenos explosivos, este foi o primeiro caso com vítimas mortais

Um pequeno avião 'jihadista' controlado remotamente e com explosivos escondidos matou dois combatentes curdos e feriu dois elementos das forças especiais francesas perto da cidade iraquiana de Mossul, confirmaram hoje fontes francesas e norte-americanas.

Apesar de o Pentágono ter já avisado que o grupo extremista Estado Islâmico (EI) utiliza 'drones' simples e baratos para realizar vigilância e transportar pequenos explosivos, este foi o primeiro caso com vítimas mortais.

De acordo com um responsável da Defesa dos Estados Unidos, o incidente ocorreu a 2 de outubro, quando um pequeno avião de esferovite foi abatido ou se despenhou em Irbil, no norte do Iraque.

Dois combatentes curdos locais agarraram-no e levaram-no para o seu acampamento, para o inspecionar e fotografar, quando o 'drone' explodiu.

"Parece que a carga explosiva estava escondida dentro do que parecia ser a pilha de uma espécie de cronómetro", disse o responsável, falando a coberto do anonimato.

Uma fonte francesa tinha anteriormente confirmado o uso de um "'drone' armadilhado no Iraque", enquanto outra confirmou que dois soldados franceses ficaram feridos no incidente, um deles com gravidade. Ambos foram transportados para França para receberem tratamento.

O exército francês escusou-se a comentar o caso.

O coronel John Dorrian, porta-voz da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos que combate o EI na Síria e no Iraque, descreveu o incidente como um ataque "estilo Cavalo de Tróia".

"Havia um engenho improvisado dentro de um 'drone'. E quando foi trazido para o acampamento, explodiu", explicou.

Responsáveis norte-americanos da Defesa disseram que o exército estava a deslocar mais tecnologia anti-'drone' para o terreno, incluindo sistemas de bloqueio de sinais eletrónicos.

"Não deixamos simplesmente o inimigo desenvolver uma capacidade que ameaça as nossas forças e as dos nossos aliados e parceiros sem combater essa ameaça", declarou Dorrian.

A França é membro da coligação internacional de combate ao EI, que está a preparar uma grande ofensiva para expulsar o grupo 'jihadista' de Mossul, que fica a 85 quilómetros de Irbil.

Cerca de 500 soldados franceses estão estacionados no Iraque, onde são consultores dos peshmerga e treinam as forças de elite iraquianas em Bagdad. Cerca de 5.000 soldados norte-americanos estão igualmente destacados no Iraque.
Fontes do departamento de Defesa norte-americano sublinharam que os 'drones' do EI terão impacto estratégico nulo na batalha que se aproxima para libertar Mossul do controlo dos extremistas.

"As implicações disto não são certamente uma ameaça existencial ou alguma coisa que seja militarmente significativa, no sentido em que vá impedir que alguma coisa que precisa de acontecer de facto aconteça", observou Dorrian.