Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

CNN dá vitória a Clinton no segundo debate

  • 333

Saul Loeb-Pool

57% do total de eleitores inquiridos pelo canal americano dão a vitória à ex-secretária de Estado contra 34% que apontam o candidato republicano como vencedor. Outros inquéritos de opinião falam num empate virtual, todos registando uma ligeira margem da democrata sobre Trump

Hillary Clinton foi declarada vencedora do segundo debate presidencial frente a Donald Trump, pelo menos entre o grupo de inquiridos que participaram na sondagem da CNN logo a seguir ao frente a frente na madrugada desta segunda-feira (hora portuguesa).

Ao avançar a notícia, a revista "Mother Jones" sublinha que o grupo consultado pelo canal americano rondava as 20-1 probabilidades a favor de Clinton. Não é, por isso, de estranhar que todas as restantes sondagens que saíram nas últimas horas apontem um empate virtual entre os dois aspirantes à Casa Branca no segundo dos três braços de ferro, uma hora e meia de perguntas, respostas e, no caso desta noite, ataques de baixo nível e ameaças inéditas, sem intervalos para publicidade, transmitidos em direto na televisão em horário nobre.

De acordo com a CNN, 57% dos inquiridos sentem que foi Clinton quem ganhou o debate, apesar de Trump ter chegado mais bem preprado do que ao primeiro encontro com a rival, e ter conseguido monopolizar por várias vezes as reações mais entusiásticas da assistência ao vivo.

Uma outra sondagem do YouGov, citada pelo britânico "The Independent", aponta que 47% dos que participaram nesse inquérito favorecem uma vitória de Clinton no encontro em St. Louis, Missouri, contra 42% que apontam Trump como o vencedor.

Entre parte do eleitorado que até agora se dizia indeciso sobre em quem vai votar, a ex-secretária de Estado venceu com uma margem ainda mais curta sobre o rival, angariando 44% de apoiantes contra 41% para o magnata do imobiliário.

O aceso debate, classificado pela CNN e por vários outros media como um encontro "sórdido" onde valeu tudo – e a partir do qual tudo mais vai valer até ao dia 8 de novembro – esteve longe de ser dominado pela ex-secretária de Estado de Obama como aconteceu no primeiro frente a frente com o rival republicano, há duas semanas, no qual um Trump mal preparado foi totalmente destronado pela retórica calma da democrata.

Era esperado que este segundo debate (que se seguiu ao único frente a frente entre os parceiros de corrida de Trump e Clinton) fosse marcado pela recente divulgação de uma gravação de 2005, em que Trump, sem saber que está a ser gravado, se gaba a um apresentador de televisão (por sinal primo direito de George W. e Jeb Bush) de assedir e abusar sexualmente de mulheres, porque "pode" fazê-lo porque é uma "estrela". Contudo, a questão mereceu uma referência no tiro de partida do frente a frente, Trump respondeu com promessas de combate ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) depois de garantir que "ninguém respeita mais as mulheres" que ele e não voltou mais a ser abordada, nem por Clinton nem pelos moderadores.

O debate ficou sobretudo marcado por uma ameaça inédita na história eleitoral norte-americana, quando Trump, no meio de acusações à rival por mentir e enganar o povo americano, prometeu nomear um "procurador especial" e mandar prendê-la se for eleito.

O próximo encontro entre os dois candidatos, o último dos três debates televisivos desta campanha, está marcado para desta quarta a uma semana, na noite de 19 de outubro (já madrugada de quinta em Portugal). Até lá, até conselheiros de Trump assumem que estão na calha mais revelações explosivas e embaraçosas para o candidato como aquela de 2005 que o "Washington Post" fez antes do encontro desta noite.