Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Membro da Renamo assassinado em Moçambique

  • 333

ANTONIO SILVA

Um dos membros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) nas negociações de paz e do Conselho de Estado de Moçambique, Jeremias Pondeca, foi assassinado no sábado em Maputo, informou hoje à Lusa o porta-voz do maior partido de oposição.

Um dos membros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) nas negociações de paz e do Conselho de Estado de Moçambique, Jeremias Pondeca, foi assassinado no sábado em Maputo, informou hoje à Lusa o porta-voz do maior partido de oposição.

"A polícia confirmou que o seu corpo foi encontrado ontem por volta das 07:00 (06:00 de Lisboa), mas só foi identificado hoje", disse à Lusa António Muchanga, referindo que o ex-deputado foi atingido por várias balas.

O porta-voz da Renamo disse que Jeremias Pondeca saiu de casa na madrugada de sábado, com destino à praia da Costa do Sol, para fazer os habituais exercícios matinais, mas nunca mais voltou.

Preocupado com o seu desaparecimento, prosseguiu Muchanga, a família contactou as autoridades, que só conseguiram identificar o corpo na manhã de hoje na morgue do Hospital Central de Maputo.

"Pensamos que estamos a negociar e temos este tipo de situações", lamentou o porta-voz da Renamo, numa alusão aos trabalhos da comissão mista do partido de oposição e do Governo moçambicano, que procuram um entendimento para encerrar a crise política e militar no país.

A Lusa tentou, sem sucessos, contactar a Polícia da Republica de Moçambique.

Após um interregno de uma semana, as negociações de paz são retomadas na segunda-feira na presença dos mediadores internacionais.
A região centro de Moçambique tem sido palco de confrontos entre o braço armado do principal partido de oposição e as Forças de Defesa e Segurança e denúncias mútuas de raptos e assassínios de dirigentes políticos das duas partes.

As autoridades acusam a Renamo de uma série de emboscadas nas estradas e ataques em localidades do centro e norte de Moçambique, atingindo postos policiais e também assaltos a instalações civis, como centros de saúde ou alvos económicos, como comboios da empresa mineira brasileira Vale.

Alguns dos ataques foram assumidos pelo líder da oposição, Afonso Dhlakama, que os justificou com o argumento de dispersar as Forças de Defesa e Segurança, acusadas de bombardear a serra da Gorongosa.

A Renamo exige governar em seis províncias onde reivindica vitória nas eleições gerais de 2014, acusando a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder há mais de 40 anos) de ter cometido fraude no escrutínio.