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Bogotá: Boho Chique

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Foto 1

A capital da Colômbia abre-se ao mundo e mostra as suas diferentes faces

Coabitam diferentes Bogotás numa só cidade. Uma é tradicional e católica, outra é revolucionária, há uma que é bizarra e mais outra trendy e moderna. Vale a pena visitar qualquer uma delas. E dentro de cada uma há uma versão oficial, a que qualquer colombiano lhe vai dizer, a si turista, que tem de visitar. E uma versão não oficial, a aquela que os bogotanos (ou rolos, como são chamados na gíria) frequentam.

Vamos seguir por esta última, a que está mais afastada dos guias de turismo. Mas em Bogotá, seja qual for o destino final, começa-se sempre pela histórica catedral na Plaza Bolívar (foto 1). Faz parte. Quatro ruas paralelas à esquerda, quando se tem a catedral de frente, há um grupo que se reúne, algumas vezes por semana, para fazer zumba ao ar livre. Não é bem a zumba que se faz por cá, na realidade parecem exercícios das cassetes de fitness da Jane Fonda. Estão sempre entre a Calle 19 e a 21, para lá chegar é ir atravessando as ruas e ruelas e seguir o som da música, mesmo que os militares do exército não aconselhem aventuras aos turistas. Uma vez aqui chegado, fora do bairro da Candelaria que é o centro histórico e funciona como uma espécie de zona de segurança altamente policiada, beba uma cerveja num dos muitos botecos.

Foto 3

Foto 3

A Bogotá que o país está pronto a mostrar é a que fica ao redor da catedral, com o museu do ouro, o museu Botero, o museu militar e o bairro da Candelaria, onde está exposto em azulejo o símbolo da armada portuguesa, fruto das nossas aventuras expansionistas. É bonita, mas vale a pena sentir — mais até do que ver — a revolucionária. Aquela em que o exército anda armado na rua, mas ao virar da esquina há propaganda às FARC (foto 3), à sua inicial ideologia de libertação. Quando começar a ver estes adeptos é sinal de que já não está na chamada zona segura, vão dizer-lhe que não é aconselhável prosseguir viagem. É provável que seja revistado ou cheirado pelos cães militares para detetar droga, mas a cidade é bem mais pacífica do que parece.

A um pouco mais de 30 minutos do centro, o Mercado de Pulgas de Usaquén é um local de encontro com o que resta dos chibcha, o povo nativo até à chegada dos espanhóis em 1539. O mais interessante é mesmo a feira, que acontece aos domingos, onde se pode encontrar de tudo à venda. Desde chá de folhas de coca a artesanato ou bens em segunda mão. Vários artistas locais aproveitam para expor ou mostrar os seus dotes ao vivo. Os preços são mais acessíveis do que no centro da cidade. Vários vendedores vendem crepes doces e salgados, arepas e banana frita.

Foto 2

Foto 2

À medida que o dia vai terminando, convém mudar para a zona cor de rosa. É o sítio da moda, está repleto de bares, restaurantes e discotecas, e é considerado uma zona para ricos e turistas. Mas todos os lugares têm os recantos menos explorados. Sim, é aqui que fica o mítico Andrés Carne de Rés (foto 2), considerado o melhor restaurante da América do Sul. É uma mistura de bar, restaurante e discoteca num só, com diferentes ambientes consoante o piso em que se está, mas sempre em clima de festa. É bom, sim. Caro, mas é uma experiência incontornável. Bogotá não está ao virar da esquina, portanto vale a pena lá ir mas não passar lá a noite toda. O Bar da Rita costuma ter música ao vivo e fica aberto até bem tarde. Saindo pela parte de trás — a que dá diretamente para uma gigante loja de noivas — é virar à esquerda, andar 500 metros, encontrar uma garagem, descer meia dúzia de degraus e o bar é aí.

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Comida de fusão

A comida colombiana é boa mas ao fim de uns dias de viagem a comer arepas (uma espécie de empadas) e sanchoco (uma sopa muito condimentada com carnes e verduras) pode ser bom experimentar algo diferente. Harry Sasson é um dos mais famosos chefes colombianos e tanto está habituado a cozinhar os pratos típicos como se aventura em sabores vindos de fora. Instalado numa antiga casa colonial, no bairro El Nougal, antes estava na zona rosa, aposta na fusão e na cozinha de autor. E no requinte. O restaurante, que tem o seu nome, é o oposto dos botecos e comida de rua da cidade. Tem vários pratos, mas os ceviches de lagosta são maravilhosos.