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Mulher teve filho com útero da mãe

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Caso aconteceu há cerca de dois anos, mas a história só agora foi divulgada

“Parece ficção cientifica”, afirmou Emelie Eriksson, de 30 anos, a propósito de ter concebido um filho com recurso a um útero que recebera de transplante da sua mãe. “Isto é o tipo de coisas que se leem nos livros de História e agora no futuro, quando se ler sobre isto, será sobre mim.”

Numa altura em que filho Albin já tem quase dois anos, Emelie resolveu contar o seu caso pioneiro à Associated Press, na esperança de encorajar outras mulheres com o mesmo tipo de problemas a efetuarem o transplante de útero. “Eu espero que isto se torne uma realidade para todas as pessoas que precisem”, comentou ao relatar a sua história a partir de sua casa, a norte de Estocolmo.

Entretanto já ocorreram outros 4 casos de mulheres que foram mães com recurso a úteros doados. Mats Brannstrom, o médico sueco que foi até agora o único no mundo a efetuar partos de bebés concebidos deste modo, espera que um dia se torne prática comum. Para tal, tem estado a trabalhar com médicos de outros pontos do mundo, nomeadamente da Escola Médica de Harvard e da Clínica Mayo, nos Estados Unidos.

Dois antigos membros da sua equipa participaram no transplante de quatro úteros efetuados na Universidade Baylor no Texas, que foram anunciados esta semana. Um dos transplantes foi bem-sucedido mas a mulher ainda não está em condições de engravidar.

Quando chegou aos 15 anos de idade, Emile começou a estranhar ainda não ter tido a menstruação, vindo a descobrir que nascera sem útero e que nunca poderia vir a ser mãe.

Aos 20 anos soube das investigações que Mats Brannstrom estava a desenvolver para transplantes de útero e acabou por encetar contactos com o médico, no sentido de receber o órgão doado pela sua mãe.

Após dezenas de testes a ambas, acabaram por efetuar o transplante inédito. Alguns meses depois da cirurgia teve dois pequenos episódios de rejeição, que conseguiu superar com recurso a esteroides. Um ano depois estava preparada para tentar engravidar. A equipa médica transferiu para o seu útero um único embrião que fora gerado através de fertilização in-vitro, que deu lugar à gravidez bem-sucedida.

Emile diz que um dia ela e o marido tencionam explicar ao filho Albin o modo exato como ele foi concebido. “Eu não tenho a certeza que ele irá compreender inteiramente tudo o que eu e a minha mãe tivemos que passar”, comentou.