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Dos capacetes brancos da Síria aos habitantes das ilhas gregas: Nobel da Paz é anunciado hoje

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THAER MOHAMMED / Getty Images

Os vencedores do prestigiado prémio, que serão anunciados pelos cinco membros do comité norueguês do Nobel da Paz esta sexta-feira de manhã, foram selecionados de uma lista de 376 candidatos

Os White Helmets (Capacetes Brancos), um grupo de cerca de três mil voluntários sírios que todos os dias socorrem as vítimas dos bombardeamentos e outros ataques nas cidades mais castigadas pela guerra civil de cinco anos e meio, são um dos favoritos ao Prémio Nobel da Paz, que será atribuído esta sexta-feira em Oslo.

Até há uma semana, o Presidente da Colômbia e o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) ocupavam um lugar cimeiro na lista dos mais prováveis laureados deste ano, mas o chumbo em referendo popular do acordo de paz que tinham alcançado em conjunto para pôr fim a 52 anos de guerra veio tirar força à candidatura e relançar os dados sobre quem será laureado.

Os vencedores do prestigiado prémio, que serão anunciados pelos cinco membros do comité norueguês do Nobel da Paz esta sexta-feira de manhã, foram selecionados de uma lista de 376 candidatos, entre eles 228 indivíduos e 148 organizações, incluindo os Capacetes Brancos e os gregos que habitam as ilhas do país no Mediterrâneo e que têm prestado assistência às centenas de milhares de refugiados que já chegaram ao continente europeu desde 2013, fugidos de guerras e repressões no Médio Oriente e África.

Na véspera da entrega do prémio, que encerra a semana Nobel deste ano, as apostas centravam-se ontem nos habitantes das ilhas gregas e noutros movimentos civis, com outros monitorizadores Nobel a apontarem a possibilidade de o laureado 2016 ser Denis Mukwege, o ginecologista e obstetra congolês que ajuda mulheres da República Democrática do Congo a recuperar da violência sexual e trauma a que estão sujeitas em massa, que no ano passado foi distinguido com o Prémio Sakharov de Direitos Humanos do Parlamento Europeu e com o Prémio Gulbenkian.

No ano passado, o Nobel da Paz foi atribuído ao Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia, um grupo de quatro organizações que permitiu uma transição democrática na Tunísia, berço da Primavera Árabe, a vaga de revoltas populares que abalou vários países do mundo árabe em 2011. Em 2014, os laureados foram a jovem paquistanesa Malala Yousafzai e ao indiano Kailash Satyarthi, descritos pelo comité Nobel como "uma jovem e um homem, uma paquistanesa e um indiano, uma muçulmana e um hindu, ambos símbolos do que o mundo necessita: mais unidade e mais fraternidade entre as nações".

Este ano integram ainda a lista de nomeados o papa Francisco, o antigo analista de sistemas da Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana Edward Snowden, a jovem da minoria cristã yazidi Nadia Murad (raptada por militantes do autoproclamado Estado Islâmico no Iraque), o ativista indiano Jockin Arputham e a ativista e advogada chechena Lidia Yusupova. Entre as candidaturas mais surpreendentes conta-se a de Donald Trump, o magnata americano tornado candidato presidencial, cuja campanha tem sido marcada por discursos incendiários xenófobos mas que os seus proponentes dizem ser um "vigoroso defensor da paz através de uma ideologia de força".

Abaixo pode ver um pequeno vídeo sobre como funciona a atribuição do Nobel da Paz: